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terça-feira, 12 de maio de 2015

NOITES SEM DORMIR

          

No meu acordar-me, todo eu sou fatalismo.

Não durmo: constante consciência

de mim próprio, no sonho com que

me guio, na pressa de acordar. Mas um novo pesadelo,



Que vai do que aqui se finge, no dormir, para o

que sabe bem reconhecer o aceno cénico,

é que vem o prelúdio, onde tudo se torna numa repetição

visceral : quase como que num déjà-vu sistémico.



E a cada noite, acabada de chegar, são as cobertas

com que me tapo, o suplício e o pânico

permanente, onde se me revelam todos os fantasmas,

que são estes semimortos, em completa decomposição.



E o suor nocturno, principio activo, do que se sofre por

antecipação, num movimento rápido e impulsivo de meus olhos,

num sono que é só de temor, é que me deixa adivinhar

uma nova noite, de silêncios a se quebrarem.



Então acendo cigarros atrás de cigarros, tentando

expulsar, pelo fumo, os cadáveres sedentos de mim.

E quando o sossego, é só um cansaço no corpo,

entrego-me à displicência, de um sono, que não quer ter sono.



Por isso, eu digo: de quem as faces, que não mais reconheço?

- Lembro-me vagamente: e foram trinta anos, só de vício -.

Então, o que me falha? Quando de mim for a entregar

o novo homem, que de ora em diante me veste, cabeça aos pés?



Jorge Humberto

11/05/15

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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