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domingo, 31 de maio de 2015

SALVAR PARA SALVAGUARDAR VIDAS!



 

Ah, sabem vocês, aquele prazer de um dever cumprido

de ter-se lutado com afinco, bem além de nós

aqui; e a sensação final, para lá do prometido

principio sem retorno, ser apenas através da própria voz?



De vermos chegar a acordo o estabelecido

o que nos foi por jura, tendo de antemão o não ficarmos sós,

porque ademais do que é viver-se como que perdido

é não vermos quem somos , se formos realmente nós?



Neste momento, onde cada um tudo deu

pelo bem-estar destas duas lindas pessoas, que se renderam

e puseram nas mãos, de seus amigos, o que era seu:



Há uma felicidade indiscritível em mim, guardada no coração.

E quando me entristecer, quem ousar nunca esqueceram

o que jamais poderá ser olvidado - tamanha a convicção.



Jorge Humberto

24/05/15





"Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia".

 

 



 

 

 

domingo, 24 de maio de 2015

ROTA FATAL





Jurei não mais voltar,
Imaginei poder esquecer,
E voltei
Ali, tudo parecia igual,
Árido, abandonado, ressequido,
A morte parecia estar sentada no acostamento,
Foi ali que fugi dela, da ultima vez,
Mas, tudo estava igual,
Ela parecia me esperar ali,
Como uma algoz paciente e decidida
Passar ali cheirava a sangue
A meu sangue,
As mesmas folhas secas se desfaziam ali,
Os rolos de poeira e galhos corriam para o mesmo lugar,
O sol escaldante lembrava deserto,
Eu estava só, ou seguida por ela...
Acho que foi a mão dela que fez o carro quebrar
Parecia que ali, ninguém passava
Devia ser conhecida a fatalidade local,
Não havia como pedir socorro,
Não havia pra onde ir,
E sinceramente, não havia porquê ficar...

Vera Celms
Licença Creative Commons
ROTA FATAL de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

AMIZADE, NÃO FINGE NEM MENTE




Nada há de mais nobre do que ter e manter

uma amizade, que de perdurar irá perdurar

por todo o sempre – uma vontade que tem querer

maior que um querer-bem, a se mostrar.



Nunca, numa amizade, a verdade poderá reverter

para outra cosa qualquer - com certeza invulgar

senão para aquilo que nasceu e aprendeu a crescer

ao se ajuntarem duas pessoas, ambas a se ladear.



Se houver, dos dois um que faça jura, a mentir

seu fado sempre será a pesada consciência

o que fará dessa pessoa como que um vidro a se partir



quando, perante outro alguém, se puser a sorrir.

É que o que um disser ao outro é permanência

a durar, quando um dia a amizade se ajuntou a se unir.



Jorge Humberto

12/05/15

terça-feira, 12 de maio de 2015

NOITES SEM DORMIR

          

No meu acordar-me, todo eu sou fatalismo.

Não durmo: constante consciência

de mim próprio, no sonho com que

me guio, na pressa de acordar. Mas um novo pesadelo,



Que vai do que aqui se finge, no dormir, para o

que sabe bem reconhecer o aceno cénico,

é que vem o prelúdio, onde tudo se torna numa repetição

visceral : quase como que num déjà-vu sistémico.



E a cada noite, acabada de chegar, são as cobertas

com que me tapo, o suplício e o pânico

permanente, onde se me revelam todos os fantasmas,

que são estes semimortos, em completa decomposição.



E o suor nocturno, principio activo, do que se sofre por

antecipação, num movimento rápido e impulsivo de meus olhos,

num sono que é só de temor, é que me deixa adivinhar

uma nova noite, de silêncios a se quebrarem.



Então acendo cigarros atrás de cigarros, tentando

expulsar, pelo fumo, os cadáveres sedentos de mim.

E quando o sossego, é só um cansaço no corpo,

entrego-me à displicência, de um sono, que não quer ter sono.



Por isso, eu digo: de quem as faces, que não mais reconheço?

- Lembro-me vagamente: e foram trinta anos, só de vício -.

Então, o que me falha? Quando de mim for a entregar

o novo homem, que de ora em diante me veste, cabeça aos pés?



Jorge Humberto

11/05/15

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O FILHO DE SUA MÃE



Nasceste menina, em tempos de dificuldade,
segunda filha, a que depois se juntaram mais quatro,
seis meninas, todas elas mães, por afinidade,
e tu, que és a minha, de feição, foi-te o parto.
Na pressa de crescer, por pura necessidade,
fizeste-te mulher, antes de o ser: fiel retrato
de um Portugal, que nem tinha tempo nem idade
para ver suas crianças crescer: real desiderato.
E, hoje, que se cumpre, mais um dia, desse alguém,
jamais esqueço, a imensíssima mulher,
que sempre foste pra mim: aqui, ali e inda mais além:
gritando pelo meu nome, que te soava tão bem,
e que por ti fora escolhido, como tudo o que bem quer:
aquela, a mulher – e inteiramente, Mãe.
Jorge Humberto
03/05/15

domingo, 3 de maio de 2015

Um instante azul... Poemas MIL.















UM INSTANTE AZUL... 


Vago num instante azul 
de paz infinita! 
É um momento pueril 
onde a verdade e o sentido 
não foram esquecidos, 
nenhuma sombra ofusca! 
Será o paraíso que todo homem busca?


Vago entre nuvens azuis 
que seguem tranquilamente, 
sopradas pelo vento menino 
que libera amorosamente 
a infância adormecida, 
liberta o sentimento puro, 
anula o dia a dia inútil! 


Azul que acalma as ânsias...
Navegando vou pelo céu, 
saindo deste sal da Terra 
que salpica de angústias. 
Esvoaçante como pluma, 
carregada pelo vento menino, 
no seu terno afago de brisa! 


Ter um pedaço de paraíso 
bem longe dos conflitos, 
das dores e males do mundo, 
de tudo que é confuso! 
Sem o ‘Minuano’ que arrasa 
e destrói por onde passa. 
Ter um instante de brisa! 


Maria Iraci Leal/MIL 
POA/RS/Brasil 
25/04/2015 
Obra protegida
(registrada)

sábado, 2 de maio de 2015

UMA PROSA ALENTEJANA!



E é no mais raso do chão que verdeja o verde da erva, que se aquece
ao sol, quando a vedes a perder de vista, por entre reconhecidas planícies
e por entre estames de flores fugidias, aqui e ali subindo e descendo, alguns declives.
Mais lá para o fundo, algumas folhas teimam, em riachos escondidos, por entre as
sombras das árvores, em armar vela, imitando barquinhos de verdade, tendo
como marujos algumas rãs, barulhentas e ainda mais para o desafinado,
aquele seu som tão característico, que delas ecoa e perdura, pelas campinas.
Porém, se buscardes o silêncio, deixando que os sons se vão distinguindo, vede que,
no cimo das poucas árvores, há cantos distintos, que nos maravilham, a cada fechar de
olhos, para ouvir melhor o cantar alegre dos verdelhões, pardais e pintassilgos, e um pouco mais, para dentro dos galhos, as cigarras que encantam, no seu canto repetitivo e
adoravelmente bem conhecido, quanto mais longe de tudo, que as cidades tendem a roubar aos campos.
E como aonde há riachos e rios, há lezírias encantadas, em fôlegos repentinos, de névoa e orvalhada, vindas detrás de amendoados arbustos - e alguns caniçais, é no levantar-se do sol  (ainda apenas miragens, enganando a quem repara), que ainda assim breve se vai assomando,
a imagem, com resquícios de algo, que vem veloz, e eis vão surgindo, ante nossos olhos, negros cascos no galope, de negros cavalos lusitanos, levando e deixando, por onde passam, 
numa insubordinação colectiva, mas onde a hierarquia é quem mais ordena, o que a liberdade passando já passou e segue alegre, adiante no correr dos terrenos marginais, daqueles tão
nossos e tão portugueses, riachos alentejanos.
Em cada casa, caiada de branco e de azul, com suas chaminés altaneiras, há heras nas paredes, por entre múltiplos e coloridos vasos, e outras peças côncavas, onde bem ordenadas
se compõem as flores, trazendo adivinhações aos chás, das tardes sem par, que passam bem devagar, até que caia a noite, onde cada um pode sorver, soprando a brisa quente, a aproximação do pôr-do-sol, que vai desenhando silhuetas e promovendo conjecturas, nos chãos de terra batida. Tudo aqui tem seu tempo: o tempo para cuidar dos animais, das terras, levar e trazer a água, aos mais sequiosos; tempo onde tudo se aproveita, até uma bela sesta,
depois do almoço tardio, aqui por estas bandas. E quando a noite cai, recolhem a casa as
pessoas (guardados os animais) e põe-se o caldo ao lume, da lareira de pedra enegrecida,
com umas couves e umas batatas, enquanto se depõem, por sobre a mesa, os enchidos de
carne, o pão caseiro e o jarro de vinho tinto, enquanto perpassam pelos olhos, mais um dia
que ficou lá atrás. Faz-se tarde na lezíria; escutam-se os grilos lá fora, e com os meninos
já deitados, depois dos estudos feitos, desligam-se as luzes do tecto, apaga-se a fornalha, e,
o casal amigo, algures numa casa isolada, no meio da planície alentejana, prepara-se para
se deitar, por entre colchas de bordados, correndo as bambinelas, para que as sombras tragam
o descanso e os segredos, próprios de quem vive em plenitude e feliz, com o que tem,
das conquistas de uma vida, preservada e vivida por meio à natureza.
Jorge Humberto
01/05/15