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domingo, 26 de abril de 2015

HOJE, DEIXO-TE PARTIR!




Há tanta tristeza neste quarto sozinho

que dói cada verso, só de pensá-lo

que outra forma haverá de imaginá-lo

se há tanta angústia sem sair do caminho?



É uma realidade e como tal adivinho

que quanto mais for vivenciá-lo

mais denso se torna o poema – deixá-lo

que a dor é precisa, neste bocadinho!



Mas sabem o que dói mais? Não ver

nem saber onde está, o que está doído

que não há paraíso pra quem não soube viver.



Ah, egoísta! Cala-te já! Quem foi a morrer

sobe-lo a todo o instante, andava moído

mas a ninguém, jamais, pediu outro sofrer.



Jorge Humberto

25/04/15

segunda-feira, 20 de abril de 2015

MULHERES SÃO ROSAS À JANELA




Mulheres são como aquelas belas rosas

que se vêem às janelas debruando

os parapeitos de belíssimos trejeitos, prosas

de um poeta, que ao versá-las, vão cuidando.



Há nelas – rosas belas, belas mulheres – briosas

silhuetas, com que o sol vai desenhando

(por entrepostas sombras, as mais curiosas)

a força que é delas, num outro coração - pulsando.



Cada homem que passa, já passou, não passa

mais: porque em cada um ficou, a traça

de uma bela mulher, que jamais irá esquecer:



Porque rosas são mulheres, que devemos pôr

no mais alto do pendão, sem nada impor

e ouvindo muito bem, o que elas têm, para nos dizer.



Jorge Humberto

16/04/15

PARA TI MEU QUERIDO PAULINHO!




Paulinho, meu querido primo, maravilhosos

foram todos os meus dias passados contigo

entre a ternura, sem termos maliciosos,

e o amor tão cândido, numa mão de amigo.



Por onde passaste a nós o que era tão teu:

nesse corpo franzino, a alma gentia -

e prevalecia, de teu carinho, o que dizias de meu:

que embevecido, às vezes, por ti temia.



Partiste; e nem tempo restou, para me despedir!

Daquele sorriso tão generoso - teu bem-querer

que era de todos, por igual, como de um jardim a florir.



Hoje, a flor feneceu! Ecoou lá longe a lembrança

- como que de uma dúctil e suave brisa, a jamais esquecer -

que nos disse: lá vai ela, a doce e eterna criança!



Jorge Humberto

17/04/15



 

 

 

 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

DESVELADO AMOR




Quis a vida que eu fosse enjeitado

não fosse mais, de quem me disse, amor!

E tenho levado o dia-a-dia sem cuidado

pois que já bem me esquece essa dor.



Fiz juras; talvez tenha sido descuidado;

pois quando a fome é muita é só esplendor.

E vai-se andando de pecado em pecado

e de tudo se vai olvidando, o real valor.



Se perante a lei e Cristo um dia delinqui

não me queira mal o mundo tanto amor.

Porque eras tu mulher e eu em ti

tudo quando ensejei de todo meu labor.



Bem sabes, que basta pouco, dizer o tanto

que te amo, e mesmo que de engano

em engano, este meu escuro manto

que me cobre, se mostre só à luz do desengano.



Porque em ti sempre acreditei

e mais acredito no muito que me esmero.

E se num passado por ti me apaixonei

é no futuro almejado, que por ti espero.



Ah, doce rapariga, cada vez mais bonita

a meus olhos! Se houvera um dia outra qualquer

que não tu, pois te digo e acredita:

não seria nunca mas nunca, minha mulher.



Jorge Humberto

06/04/15

domingo, 5 de abril de 2015

REGRESSADOS DE “ABRIL”!



Eis que olvidaram, nas noites de perseguição
(os sequazes que a “PIDE” punha em cada esquina),
de preverem o movimento, chamado Revolução,
que há muito se movia, do simples ardina


ao intelectual; que a todos juntava com precaução
não denotando desconfiança - de muitos a sina
que então guardavam, como toque de união
o “passa-palavra”, encetada rua abaixo rua acima:


o que nascera fora e dentro das prisões, nos asilos,
como algo que teria de ser levado Avante
quando cada um de nós passou a simples pupilos.


E todos quantos, os que tinham voz, acossados em silos,
partiram um dia, para lutarem num país distante:
ei-los volvidos em “Abril”: cravo vermelho com muito estilo.


Jorge Humberto
05/04/15

sexta-feira, 3 de abril de 2015

UM… ENTRE TANTOS POETAS!




Tinha tanto, tanto para dizer, que temo omitir

cousas de indefinida importância: como tornar

encantado o canto do poeta - quando este se faz ouvir:

que é o mesmo - quando ele se põe a sonhar.



A madrugada; enuncia mil fórmulas de sentir;

sabe-lo bem - quando das sombras se põe a escutar,

a batida que vem de dentro: como que a assumir

tudo quanto o poeta aqui nos quis deixar.



Sopra o vento lá fora, nas primícias da manhã;

sopra e sopra; mas eis que o sol, de um coração de poeta,

traz a todos nós a alegria, como se a sabores de hortelã!



Tenho tanto, tanto para dizer, que não há aqui amanhã

que não escute do poeta o chamado e o subtil alerta

que o vernáculo do Vate, não o traga em mãos, com afã.



Jorge Humberto

30/03/15