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quarta-feira, 8 de julho de 2015

COLCHA DE RETARDOS



Se temos a vida para viver
Temos o mundo para morar
Há muito e aonde se esconder, ou se mostrar
Dor é território privado
Cada um, dói de si,
Vou até onde quero
O precipício pode comigo flertar
A aproximação, decido eu
Dou-me o direito de fechar
A porta, a tela, a cara,
Cinza, existe em todo lugar,
Cabe a mim, fazê-lo brilhar, ou fenecer
Ao sol, purpúreo ou não
Sob fog intenso, se entender
Não se doam nuvens
Nem sonhos
Nem finais felizes,
gloriosos ou contundentes
A porta de saída, é sempre a mesma,
E do fundo do poço,  é pra cima...

Vera Celms

Licença Creative Commons
COLCHA DE RETARDOS de Vera Celms está licenciado com uma Licença 
Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

TEU NOME… SABÊ-LO BEM




(complemento e… final)





Ouviste-me por ti chamar, nos versos

últimos? E neles, perceber teu nome?

Apenas sugerido e subentendido

mas que a quem leu nem o apelido esqueceu?



Sempre tão susceptível e entendível

a cada nova rima sem ter rima

porque quem a rima faz somos nós

como àquele amor, jamais desmentido?



Dime, pensavas realmente, assim

que nos venceria a mentira, só porque

tem quem não sabe o que é amar, a quem se ama?



Ou como poderia sequer razão existir

se outra coisa houvera a existir (cobiça,

só cobiça) que não o amarmo-nos, eternamente?



Desgraçada gente, que não sabe,

que quem cuidou amar, amado sempre será.



Jorge Humberto

06/06/15



"Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia".

 

 

 

sábado, 6 de junho de 2015

TEU NOME… SABÊ-LO BEM




Entardece. Lá mais em baixo corre
serenamente o rio e a lembrança de teu nome.
Se não o escrevesse quase de certeza
que não me recordaria de ti em toda a
envolvência, que traz lembrarmo-nos
quem a lembrança mais almeja querer:
assim como a vontade que é do rio
quando corre tranquilo para a sua foz
porque esse é o desejo das águas e a certeza
de que algures tu vais lá estar.

Sim! Porque eu vou num barquinho
olhos postos no céu reinventando-te
a todo o instante; e conforme os pingos
das águas mais e mais me vão salpicando
na sábia voz do líquido melífluo é aí que eu
sei que estamos juntos, pois se primeiro
foi lembrança agora quem te carrega é
o meu pobre coração, qual não sei porque
não te esquece ele, quando de mim
bastas vezes nem sabes mais sequer se eu existo.
Enfim! Há coisas que existem e não têm
que ter filosofia alguma nisto tudo: é porque é
e o que tem de ser tem muita força, mais ainda
aquela que desconhecemos e só quando
o amor se aviva entre oceanos e fronteiras
Marítimas nos superamos contra ventos e marés.
E um raio de sol surge como que a dizer-nos:
no amor e na paz no bem-querer e na amizade
quem olvida uma segunda vez incorre num erro
tão maior do que dormirmos nele por teimosia
Entre uma e outra coisa, persisto em amar-te:
haja pois quem atire a primeira pedra
se há alguma coisa aqui que não tenha como verdade
o só dizê-la: verso ou prosa é uma rosa
senão tão bonita como tu mulher, não lhe negues
o viço que a mantém assim rejuvenescida
ano após ano, dia depois de outro dia
ao sol e à chuva ou quando visa o vice-versa
que é parte mais visível de quem vive para a intriga
já que a nossa realidade á sabermo-nos a dois.
Jorge Humberto
02/06/15
“Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia”.







terça-feira, 2 de junho de 2015

PARA OS OUTROS SEMPRE




Nem sempre serei para mim o melhor conselho

quantas bastas vezes sou algo de sozinho

não me encontrando sei que me olho no espelho

mas que razão me assiste se nem sei se há caminho?



Mas é aí que me estudo no discreto desenho

entre o vidro oblíquo e o que me está mais vizinho.

Porque por essa altura vai-se todo o desdenho

e eis quando me fica o que almejei: o secreto amigo.



E é para ele daí em diante eis todo o meu esforço

quando me procura expõe-me seus medos e o obscuro

e é então que lhe digo: é preciso saltar o muro!



Ir daqui para o outro lado, onde está o conforto

que diga-se é lá que está o novo mundo

que fará do inseguro ir buscar a si o mais profundo.



Jorge Humberto

31/05/15



"Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia".

domingo, 31 de maio de 2015

SALVAR PARA SALVAGUARDAR VIDAS!



 

Ah, sabem vocês, aquele prazer de um dever cumprido

de ter-se lutado com afinco, bem além de nós

aqui; e a sensação final, para lá do prometido

principio sem retorno, ser apenas através da própria voz?



De vermos chegar a acordo o estabelecido

o que nos foi por jura, tendo de antemão o não ficarmos sós,

porque ademais do que é viver-se como que perdido

é não vermos quem somos , se formos realmente nós?



Neste momento, onde cada um tudo deu

pelo bem-estar destas duas lindas pessoas, que se renderam

e puseram nas mãos, de seus amigos, o que era seu:



Há uma felicidade indiscritível em mim, guardada no coração.

E quando me entristecer, quem ousar nunca esqueceram

o que jamais poderá ser olvidado - tamanha a convicção.



Jorge Humberto

24/05/15





"Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia".

 

 



 

 

 

domingo, 24 de maio de 2015

ROTA FATAL





Jurei não mais voltar,
Imaginei poder esquecer,
E voltei
Ali, tudo parecia igual,
Árido, abandonado, ressequido,
A morte parecia estar sentada no acostamento,
Foi ali que fugi dela, da ultima vez,
Mas, tudo estava igual,
Ela parecia me esperar ali,
Como uma algoz paciente e decidida
Passar ali cheirava a sangue
A meu sangue,
As mesmas folhas secas se desfaziam ali,
Os rolos de poeira e galhos corriam para o mesmo lugar,
O sol escaldante lembrava deserto,
Eu estava só, ou seguida por ela...
Acho que foi a mão dela que fez o carro quebrar
Parecia que ali, ninguém passava
Devia ser conhecida a fatalidade local,
Não havia como pedir socorro,
Não havia pra onde ir,
E sinceramente, não havia porquê ficar...

Vera Celms
Licença Creative Commons
ROTA FATAL de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

AMIZADE, NÃO FINGE NEM MENTE




Nada há de mais nobre do que ter e manter

uma amizade, que de perdurar irá perdurar

por todo o sempre – uma vontade que tem querer

maior que um querer-bem, a se mostrar.



Nunca, numa amizade, a verdade poderá reverter

para outra cosa qualquer - com certeza invulgar

senão para aquilo que nasceu e aprendeu a crescer

ao se ajuntarem duas pessoas, ambas a se ladear.



Se houver, dos dois um que faça jura, a mentir

seu fado sempre será a pesada consciência

o que fará dessa pessoa como que um vidro a se partir



quando, perante outro alguém, se puser a sorrir.

É que o que um disser ao outro é permanência

a durar, quando um dia a amizade se ajuntou a se unir.



Jorge Humberto

12/05/15

terça-feira, 12 de maio de 2015

NOITES SEM DORMIR

          

No meu acordar-me, todo eu sou fatalismo.

Não durmo: constante consciência

de mim próprio, no sonho com que

me guio, na pressa de acordar. Mas um novo pesadelo,



Que vai do que aqui se finge, no dormir, para o

que sabe bem reconhecer o aceno cénico,

é que vem o prelúdio, onde tudo se torna numa repetição

visceral : quase como que num déjà-vu sistémico.



E a cada noite, acabada de chegar, são as cobertas

com que me tapo, o suplício e o pânico

permanente, onde se me revelam todos os fantasmas,

que são estes semimortos, em completa decomposição.



E o suor nocturno, principio activo, do que se sofre por

antecipação, num movimento rápido e impulsivo de meus olhos,

num sono que é só de temor, é que me deixa adivinhar

uma nova noite, de silêncios a se quebrarem.



Então acendo cigarros atrás de cigarros, tentando

expulsar, pelo fumo, os cadáveres sedentos de mim.

E quando o sossego, é só um cansaço no corpo,

entrego-me à displicência, de um sono, que não quer ter sono.



Por isso, eu digo: de quem as faces, que não mais reconheço?

- Lembro-me vagamente: e foram trinta anos, só de vício -.

Então, o que me falha? Quando de mim for a entregar

o novo homem, que de ora em diante me veste, cabeça aos pés?



Jorge Humberto

11/05/15

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O FILHO DE SUA MÃE



Nasceste menina, em tempos de dificuldade,
segunda filha, a que depois se juntaram mais quatro,
seis meninas, todas elas mães, por afinidade,
e tu, que és a minha, de feição, foi-te o parto.
Na pressa de crescer, por pura necessidade,
fizeste-te mulher, antes de o ser: fiel retrato
de um Portugal, que nem tinha tempo nem idade
para ver suas crianças crescer: real desiderato.
E, hoje, que se cumpre, mais um dia, desse alguém,
jamais esqueço, a imensíssima mulher,
que sempre foste pra mim: aqui, ali e inda mais além:
gritando pelo meu nome, que te soava tão bem,
e que por ti fora escolhido, como tudo o que bem quer:
aquela, a mulher – e inteiramente, Mãe.
Jorge Humberto
03/05/15

domingo, 3 de maio de 2015

Um instante azul... Poemas MIL.















UM INSTANTE AZUL... 


Vago num instante azul 
de paz infinita! 
É um momento pueril 
onde a verdade e o sentido 
não foram esquecidos, 
nenhuma sombra ofusca! 
Será o paraíso que todo homem busca?


Vago entre nuvens azuis 
que seguem tranquilamente, 
sopradas pelo vento menino 
que libera amorosamente 
a infância adormecida, 
liberta o sentimento puro, 
anula o dia a dia inútil! 


Azul que acalma as ânsias...
Navegando vou pelo céu, 
saindo deste sal da Terra 
que salpica de angústias. 
Esvoaçante como pluma, 
carregada pelo vento menino, 
no seu terno afago de brisa! 


Ter um pedaço de paraíso 
bem longe dos conflitos, 
das dores e males do mundo, 
de tudo que é confuso! 
Sem o ‘Minuano’ que arrasa 
e destrói por onde passa. 
Ter um instante de brisa! 


Maria Iraci Leal/MIL 
POA/RS/Brasil 
25/04/2015 
Obra protegida
(registrada)

sábado, 2 de maio de 2015

UMA PROSA ALENTEJANA!



E é no mais raso do chão que verdeja o verde da erva, que se aquece
ao sol, quando a vedes a perder de vista, por entre reconhecidas planícies
e por entre estames de flores fugidias, aqui e ali subindo e descendo, alguns declives.
Mais lá para o fundo, algumas folhas teimam, em riachos escondidos, por entre as
sombras das árvores, em armar vela, imitando barquinhos de verdade, tendo
como marujos algumas rãs, barulhentas e ainda mais para o desafinado,
aquele seu som tão característico, que delas ecoa e perdura, pelas campinas.
Porém, se buscardes o silêncio, deixando que os sons se vão distinguindo, vede que,
no cimo das poucas árvores, há cantos distintos, que nos maravilham, a cada fechar de
olhos, para ouvir melhor o cantar alegre dos verdelhões, pardais e pintassilgos, e um pouco mais, para dentro dos galhos, as cigarras que encantam, no seu canto repetitivo e
adoravelmente bem conhecido, quanto mais longe de tudo, que as cidades tendem a roubar aos campos.
E como aonde há riachos e rios, há lezírias encantadas, em fôlegos repentinos, de névoa e orvalhada, vindas detrás de amendoados arbustos - e alguns caniçais, é no levantar-se do sol  (ainda apenas miragens, enganando a quem repara), que ainda assim breve se vai assomando,
a imagem, com resquícios de algo, que vem veloz, e eis vão surgindo, ante nossos olhos, negros cascos no galope, de negros cavalos lusitanos, levando e deixando, por onde passam, 
numa insubordinação colectiva, mas onde a hierarquia é quem mais ordena, o que a liberdade passando já passou e segue alegre, adiante no correr dos terrenos marginais, daqueles tão
nossos e tão portugueses, riachos alentejanos.
Em cada casa, caiada de branco e de azul, com suas chaminés altaneiras, há heras nas paredes, por entre múltiplos e coloridos vasos, e outras peças côncavas, onde bem ordenadas
se compõem as flores, trazendo adivinhações aos chás, das tardes sem par, que passam bem devagar, até que caia a noite, onde cada um pode sorver, soprando a brisa quente, a aproximação do pôr-do-sol, que vai desenhando silhuetas e promovendo conjecturas, nos chãos de terra batida. Tudo aqui tem seu tempo: o tempo para cuidar dos animais, das terras, levar e trazer a água, aos mais sequiosos; tempo onde tudo se aproveita, até uma bela sesta,
depois do almoço tardio, aqui por estas bandas. E quando a noite cai, recolhem a casa as
pessoas (guardados os animais) e põe-se o caldo ao lume, da lareira de pedra enegrecida,
com umas couves e umas batatas, enquanto se depõem, por sobre a mesa, os enchidos de
carne, o pão caseiro e o jarro de vinho tinto, enquanto perpassam pelos olhos, mais um dia
que ficou lá atrás. Faz-se tarde na lezíria; escutam-se os grilos lá fora, e com os meninos
já deitados, depois dos estudos feitos, desligam-se as luzes do tecto, apaga-se a fornalha, e,
o casal amigo, algures numa casa isolada, no meio da planície alentejana, prepara-se para
se deitar, por entre colchas de bordados, correndo as bambinelas, para que as sombras tragam
o descanso e os segredos, próprios de quem vive em plenitude e feliz, com o que tem,
das conquistas de uma vida, preservada e vivida por meio à natureza.
Jorge Humberto
01/05/15



domingo, 26 de abril de 2015

HOJE, DEIXO-TE PARTIR!




Há tanta tristeza neste quarto sozinho

que dói cada verso, só de pensá-lo

que outra forma haverá de imaginá-lo

se há tanta angústia sem sair do caminho?



É uma realidade e como tal adivinho

que quanto mais for vivenciá-lo

mais denso se torna o poema – deixá-lo

que a dor é precisa, neste bocadinho!



Mas sabem o que dói mais? Não ver

nem saber onde está, o que está doído

que não há paraíso pra quem não soube viver.



Ah, egoísta! Cala-te já! Quem foi a morrer

sobe-lo a todo o instante, andava moído

mas a ninguém, jamais, pediu outro sofrer.



Jorge Humberto

25/04/15

segunda-feira, 20 de abril de 2015

MULHERES SÃO ROSAS À JANELA




Mulheres são como aquelas belas rosas

que se vêem às janelas debruando

os parapeitos de belíssimos trejeitos, prosas

de um poeta, que ao versá-las, vão cuidando.



Há nelas – rosas belas, belas mulheres – briosas

silhuetas, com que o sol vai desenhando

(por entrepostas sombras, as mais curiosas)

a força que é delas, num outro coração - pulsando.



Cada homem que passa, já passou, não passa

mais: porque em cada um ficou, a traça

de uma bela mulher, que jamais irá esquecer:



Porque rosas são mulheres, que devemos pôr

no mais alto do pendão, sem nada impor

e ouvindo muito bem, o que elas têm, para nos dizer.



Jorge Humberto

16/04/15

PARA TI MEU QUERIDO PAULINHO!




Paulinho, meu querido primo, maravilhosos

foram todos os meus dias passados contigo

entre a ternura, sem termos maliciosos,

e o amor tão cândido, numa mão de amigo.



Por onde passaste a nós o que era tão teu:

nesse corpo franzino, a alma gentia -

e prevalecia, de teu carinho, o que dizias de meu:

que embevecido, às vezes, por ti temia.



Partiste; e nem tempo restou, para me despedir!

Daquele sorriso tão generoso - teu bem-querer

que era de todos, por igual, como de um jardim a florir.



Hoje, a flor feneceu! Ecoou lá longe a lembrança

- como que de uma dúctil e suave brisa, a jamais esquecer -

que nos disse: lá vai ela, a doce e eterna criança!



Jorge Humberto

17/04/15



 

 

 

 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

DESVELADO AMOR




Quis a vida que eu fosse enjeitado

não fosse mais, de quem me disse, amor!

E tenho levado o dia-a-dia sem cuidado

pois que já bem me esquece essa dor.



Fiz juras; talvez tenha sido descuidado;

pois quando a fome é muita é só esplendor.

E vai-se andando de pecado em pecado

e de tudo se vai olvidando, o real valor.



Se perante a lei e Cristo um dia delinqui

não me queira mal o mundo tanto amor.

Porque eras tu mulher e eu em ti

tudo quando ensejei de todo meu labor.



Bem sabes, que basta pouco, dizer o tanto

que te amo, e mesmo que de engano

em engano, este meu escuro manto

que me cobre, se mostre só à luz do desengano.



Porque em ti sempre acreditei

e mais acredito no muito que me esmero.

E se num passado por ti me apaixonei

é no futuro almejado, que por ti espero.



Ah, doce rapariga, cada vez mais bonita

a meus olhos! Se houvera um dia outra qualquer

que não tu, pois te digo e acredita:

não seria nunca mas nunca, minha mulher.



Jorge Humberto

06/04/15

domingo, 5 de abril de 2015

REGRESSADOS DE “ABRIL”!



Eis que olvidaram, nas noites de perseguição
(os sequazes que a “PIDE” punha em cada esquina),
de preverem o movimento, chamado Revolução,
que há muito se movia, do simples ardina


ao intelectual; que a todos juntava com precaução
não denotando desconfiança - de muitos a sina
que então guardavam, como toque de união
o “passa-palavra”, encetada rua abaixo rua acima:


o que nascera fora e dentro das prisões, nos asilos,
como algo que teria de ser levado Avante
quando cada um de nós passou a simples pupilos.


E todos quantos, os que tinham voz, acossados em silos,
partiram um dia, para lutarem num país distante:
ei-los volvidos em “Abril”: cravo vermelho com muito estilo.


Jorge Humberto
05/04/15

sexta-feira, 3 de abril de 2015

UM… ENTRE TANTOS POETAS!




Tinha tanto, tanto para dizer, que temo omitir

cousas de indefinida importância: como tornar

encantado o canto do poeta - quando este se faz ouvir:

que é o mesmo - quando ele se põe a sonhar.



A madrugada; enuncia mil fórmulas de sentir;

sabe-lo bem - quando das sombras se põe a escutar,

a batida que vem de dentro: como que a assumir

tudo quanto o poeta aqui nos quis deixar.



Sopra o vento lá fora, nas primícias da manhã;

sopra e sopra; mas eis que o sol, de um coração de poeta,

traz a todos nós a alegria, como se a sabores de hortelã!



Tenho tanto, tanto para dizer, que não há aqui amanhã

que não escute do poeta o chamado e o subtil alerta

que o vernáculo do Vate, não o traga em mãos, com afã.



Jorge Humberto

30/03/15

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 30 de março de 2015

O PALADINO!



Quanto tempo perdido quanta ganância,
e a um canto uma criança, que jaz morta no chão;
porque a guerra é darmos importância
a quem vai pela vida sem qualquer tipo de emoção.


Se olharmos para as coisas, com a devida distância,
saberemos separar toda e qualquer desunião;
que o que aqui conta é a irmandade, a indisfarçada elegância
e o quanto formos, com distinta elevação.


O que eram cidades hoje são só países divididos
(o terrorismo tirando proveito do desencontro das gentes),
e nos longínquos desertos – prantos e gemidos


porque a “guerra santa” é indiferente aos sentidos
genuinamente puros, que ainda assim largam suas sementes
quando lhes negam o Arauto, por muitos preteridos.


Jorge Humberto
30/03/15

sábado, 28 de março de 2015

DESVENTURAS DE QUEM SE NEGOU A MAIS SONHAR




Ah, ainda te lembras, rapariga, de como era

a vida, quando o tempo corria devagar?

E o azul era mais azul (aquele que o mar gera

o outro que o céu cobria) e só nos guiava o olhar?



Lembras-te? E lembras-te ainda como era

quando a espera tinha espera (dum sonho a divagar

numa lembrança de inda agora), de como era

o tempo, de um tempo, que tinha tempo para amar?



E quando o sol abria um sorriso no ar

e os namoradinhos passeavam-se no jardim

era como um exercício musical a solfejar…



Hoje, que lembras tu, rapariga, se nem soletrar

lembras mais, quando eramos tão assim

e a vida era a vida, com que sonhamos um dia alcançar?



Jorge Humberto

26/03/15

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 21 de março de 2015

SEREI DESTE E DAQUELE




Serei deste e daquele, nada de mim.

Que quem tudo quer nada tem.

Mas não me usem nem abusem assim

quem tanto desprendimento não atém.



Se outros houvera, de outras maneiras,

quero-os aqui, da mesma forma com que eu

me mostro a esse outro: é como ir pelas lombeiras

de um livro, a atingir tudo quanto prometeu.



Serei tudo quanto for de mim, se no outro -

e apenas aí -, não houver qualquer presunção:

dele pra mim, como de mim à aqueloutro:

que é o mesmo e o outro diferente, por sua assunção.



E assim serei tudo o que quiser, pondo diligência

no gesto que aprouver: tão natural quanto eu!



Jorge Humberto

20/03/15

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 15 de março de 2015

CUMPRA-SE DE NOVO ABRIL!




Contra os que nos têm ofendido

de falsas verdades se mostrando

àqueles que impunes vão desmentindo

as mentiras que nos vão deixando



(tão púdicos perante o que vão fingindo

tão cruéis proveitosos no desmando);

contra esses - na descontra do que nos é querido

e aos poucos e poucos vão matando



tudo quanto este povo, foi construindo-,

e contra aqueles, que este país, vão adiando;

contra estes fascistas, que nos vão denegrindo,



saia Portugal à rua e erga-se a Nação: unindo

o que nos une e unifica, perpetuando

o real valor de Abril: que são estas gentes prosseguindo.



13/03/15

Jorge Humberto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 9 de março de 2015

A TODAS AS MULHERES!

Como poeta e como escritor, gosto de chamar as coisas, pelos seus nomes, e mostrar à sociedade, que estes dias, 08 de Março, não são dias de festividade, para todas as mulheres, quando quem mais lhes deve reconhecer mérito, e mostrá-lo ao mundo, porque têm os meios próprios e adequados, para isso, e as omitem, calam e nada fazem, é pois o machismo, quem ainda dita, mais alto, a sua voz. Já à mulher, àquela que vende capas de revista, "cor-de-rosa", e é convidada a ir à televisão, dizer parvoíces, ostensivamente maquilhadas, no excesso da submissão e do ridículo, que o homem lhe impõe, para seu gaudio (deles), não é com certeza, a essa mulher, ou mulheres, a quem eu mais dedico a minha singela homenagem - e que é feita todos os meus dias -, mas àquela, a que foi enganada, pelo esposo e abandonada à sua sorte, de uma vida madrasta, com os filhos pela mão, em tenra idade, e com o mundo descambando à sua volta; é para essas e é para aquelas, que logo arregaçam as mangas, enxugam as lágrimas, para que os filhos não as vejam fragilizadas, e passam a ser pai e mãe, ao mesmo tempo, tendo dois ou mesmo mais empregos; ou àquela, que é agredida, nos claustros machistas, que elas não supuseram mas sonharam, um dia, ser a casa do seu sonho, para namorar seu esposo - que em namoro lhes prometeu, o que não viria a cumprir, depois -, e aí ter seus filhos e criá-los juntos; é para essa e é para essas, mas mais ainda, para aquela e para aquelas, que todos os dias são assassinadas, porque a policia, logo à primeira bofetada, não agiu, e ao impropério revanchista calou, quando a mulher se deslocou ao posto policial, pedindo ajuda, e as senhoras e os senhores policiais, nada fizeram, para a proteger, dizendo-lhe, que, se calhar, "a senhora até pediu, para que tal viesse a acontecer, minha querida…, sabe que o homem não é de ferro!", mandando-a, de seguida, de volta à casa dos horrores, onde, obviamente, continuou a ser perseguida, espancada, maltratada psicologicamente, até chegar o inevitável: o assassinato; é para essa e é para essas Mulheres, em particular, a quem eu mais dedico a minha homenagem: hoje, ontem e amanhã…. E sempre!...

(Embora reconheça que, cada vez mais, a sociedade, já vai agindo, mais de acordo com os valores morais, que as nossas mães, nos passaram. E os provérbios, que diziam, pasmem-se: "cá em casa manda ela, mas nela mando eu", ou "entre marido e mulher não se mete a colher", na maioria das vezes, hoje, já não colhe e são votados à indignação, passando à força da reivindicação: há que mudar, já se ouve!).

Acresce aqui dizer, que, em Portugal, uma em cada 3 mulheres, é morta, todos os dias, pelos seus maridos, e que, cada vez mais, é no namoro, que tudo começa.

É pois, para essas e para aquelas que, a pulso, reivindicam, com muito trabalho, esforço e profissionalismo, o seu direito, a serem reconhecidas, como parte integrante, das sociedades modernas, onde vivem e fazem viver, que vão os meus votos sinceros, de solidariedade. Assim, Bem- Hajam, a essas mulheres! A todas elas: Feliz Dia da Mulher – todos os dias.

Beijinhos, a todas as Mulheres!



Jorge Humberto

08/03/15

sábado, 7 de março de 2015

HOJE E AMANHÃ, RAZÃO DE MEU VIVER!





Tempos meus, que são tempos no porvir

hão-de estas minhas mãos quere-los aqui:

e de ora em diante sentir que os vivi:

com uma força tal que só tem o que há-de vir.



E o que vier desta forma será tudo a existir:

arcos, flechas, terras semeadas, além e ali;

novas invenções; altas gruas, outras casas aqui;

e ora nós e nós em todos e extensos jardins, a florir.



Ah, querem-nos presos, às correntes do passado!

Que a mentira, dita muitas vezes - vezes demais -,

torna-se na verdade, de quem mente, em demasiado.



Por isso, eu digo, há um caminho, que se quer desejado!

E o que é de hoje e de amanhã – e mais e mais -,

espera-nos mais à frente, há espera de ser ultrapassado.



Jorge Humberto

06/03/15

 

quarta-feira, 4 de março de 2015

AMOR INFINITO... POEMAS MIL.





AMOR INFINITO


É este que me abraça,

em suas asas me envolve,

faz-me sentir protegida e amada...

É quando você entra pela porta,

olha-me com um sorriso terno,

abre os braços e pede seu beijo,

um demorado beijo!

INFINITE LOVE

Is this that hold me,

in its wings involves me,

It makes me feel

protected and beloved ...

Is when you walk through the door,

look at me with a tender smile,

Open your arms

and ask your Kiss,

a long kiss ...


Maria Iraci Leal/MIL

POA/RS/Brasil

 01032015

rights reserved

domingo, 1 de março de 2015

VOCÊ SE EQUIVOCOU... POEMAS MIL.


Você se equivocou... 

Ouviu apenas o seu íntimo, 
pensamentos seus, não meus. 
Sua alma perdida em conjecturas ínfimas, 
destruiu o sentimento lindo, 
colocou tudo a perder... 
Meu refúgio seria este afeto amigo, 
que pensei em ter. 
Sofri, senti o vazio 
até que pude entender. 
Nem tudo é como se imagina, 
palavras podem ser alegorias, 
enfeites para fazer um carnaval. 
Entendi que nada foi especial, 
apenas versos sem rima,
algo qualquer, sem tino... 
Hoje recolho-me ao meu eu,
pleno de amor, paz e sentido, 
foste apenas a lição aprendida, 
pra eu discernir verdade de mentira! 
Hoje graças ao amor que me nutre, 
sei de ti, que sem motivo tentou ferir-me. 
Sei que foi o seu íntimo 
perdido de Deus e do amor que une! 
No mundo há tanto que relevamos,
mas que jamais seja a falta de Deus 
e do amor que abriga... 

Maria Iraci Leal/MIL 
POA/RS/Brasil 
18/02/2015 
Obra protegida

sábado, 28 de fevereiro de 2015

POEMA AMIGO




Amigos vêem até nós como águas a sossegar

velas velozes de um barco tremendo

quando os mares se agitam de par em par

ou quando tememos o que somos ou vamos sendo.



São como faróis de fortes luzes a debruar

as noites mais ricas e até as mais esconsas crendo

quando mesmo num raro sopro a assoprar

nos levam a bom porto seus braços estendendo.



Mas amigos são também como o silêncio que é de ouro

quando nos escutam as pressas de chegar

ou quando nos apontam o caminho mais duradouro.



Razão de ser deste meu poema que quis sincero!

Porque amigo que é amigo nasceu par’amar

não esconde nem finge e fá-lo com esmero.



Jorge Humberto

26/02/15