Pesquisar este blog

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

PERFUMARIA





Quando me dei sobre as pernas, pela primeira vez
Senti que o destino havia traçado a trajetória toda
Ora indo, ora vindo, ora ficando sei lá aonde
Molhei os pés tantas vezes
Sequei-os todas
Algumas vezes doeram, racharam,
Era o peso da bagagem,
Engraxados pelas sobras não consumidas,
Pés cansados, mal hidratados,
Pele clara, tão clara,
Tão fina quanto minha percepção
Como o desenho do nariz, que meu pai me deu,
Não adunco, aristocrático,
Que facilitou minha postura altiva,
Rainha rala, pouca nobreza,
Trazida de outra vida, ou de outra dimensão roubada,
Traçada a realidade, caco a caco, um risco...
Olho sempre direto,
Também não fujo a luta,
Saio peitando inimigos, doa ou não,
Doa a quem doer, se estiver impedindo meus movimentos,
Afinal, quem sai aos seus, não degenera – é assim, o ditado?
Aprendi a brigar desde pequena,
Garantir meu espaço, como meu pai
Absorvi a marra, a dobra na testa, o punho cerrado
Passos largos e firmes, apesar de caindo sob as tabelas,
Triste a caminhada de um manco, mas não menos nobre,
Nobreza trouxe alguma no DNA adquirido por herança natural,
A bruxaria também,
Aprendi bem cedo a fazer poções, xaropes,
e se necessário, venenos também faria, mas não fiz...
O carma continua leve, limpo, brilhante,
Zelo sempre foi uma característica,
Talvez me entregue, se quiser,
Talvez me preserve, por segurança,
Decido eu,
Mantenho no olhar azul claro, toda a malícia possível,
capaz de seduzir ou desvendar,
Muito de astúcia, e segurança,
E um horizonte ensolarado, largo e certo...
O mais, é perfumaria...

Vera Celms
Licença Creative Commons
PERFUMARIA de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Um comentário:

  1. Excelência de escrito. É como a água a verter de fortes fontes... Parabéns e abraços literatos...

    ResponderExcluir