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sábado, 25 de outubro de 2014

TEU NOME, ISABEL



Menina e moça mulher jovial e de uma beleza
Rara e de tamanhos encantamentos
Mais que a beleza fêmea plena de subtileza
Tão tua é de tua humanidade afrontamentos


Quando vês entre uns e outros a divisão
A incúria dos que falam pela voz doutro alguém
Como se fossem deles o santíssimo coração
Dos quais fazem uso e abuso como ninguém.


Perdoai-os, Isabelinha, tua alma é muito maior
Que a mesquinhez dos que parem a maldade
Tua é a ajuda para com os demais não há deslealdade.


Esta minha vida leva-te em agradecimento mor
Por tudo o que tens sido para mim - encanto de poeta
Jamais uma janela fechada grade ou espoleta.


Jorge Humberto
16/10/14

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

AO LADO DO CORPO INERTE





Dormi ao lado do corpo inerte
Silencioso partiu,
Não disse palavra,
Não esboçou  pensamento,
Nem um olhar,
Esqueceu-se em sono
Durante o pesar do tempo
Retraído, ausente, depressivo,
O silencio foi um monumento entre nós
Não me deixava atravessar
Não me deixou visitar-te
Não me deixou intervir
Lançou-se ao abandono
Recolheu-se pra dentro de si
E esqueceu-se em sono, de repente...
Nenhum sinal,
Nem respiração mais forte
Nem suspiro,
Nenhum olhar que pedisse socorro
Simplesmente, irrompeu a insônia,
Interrompeu o caminho da alma
Dormi ao lado do corpo inerte, sem vida
E nem notei,
Pela manhã, o corpo frio, inflexível,
Foi só então que notei a ausência da sua alma,
Tinha o rosto tranquilo,
Como quem simplesmente dormia...
Porque não me chamou?

Vera Celms

terça-feira, 14 de outubro de 2014

FOI EM DOIS MIL E SEIS QUE TE CONHECI




Ah, mas desse-me eu a um sono donde jamais

Acordasse – a fome que me consome é a falta de ti –

E talvez aí ainda vislumbrasse ao longe madrigais

Com o mesmo olor de quando me acerquei de ti.



Julgo que já sabíamos que seriamos deste prá quele.

- "Má sorte a minha o dia em que adoeci!"-…

- E ao abandono me obrigou e a tudo que havia nele:

E assim não foram uma mas duas as dores – tomei-as para mim!



(Mas, ah, porque sofro eu assim se amor não fosse o que

Possui minha alma qual a razão de tanto lamento

E o porquê digam-me o porquê… de tamanho sofrimento?)



Errei! E quem não erra? – Antes mentisse à mentirosa!

Me insubordinasse! Que bem se esquiva essa rameira:

E fizesse-a pagar cada dor nossa - da mesma maneira.





Jorge Humberto

04/10/14

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

TESÃO DE VENTANIA





Vento repentino
Fez poeira levantar do chão
Fez folhas correrem barulhentas
Fez as saias dela subirem violentas
Flagrada com as mãos carregadas
Não havia como cuidar
Agachada esperando a ventania passar
Os machos todos pararam pra olhar
O mulheril tentando ajudar
Não havia solução
A ventania veio pra ficar
E quem olhava torcia pra não parar
E ela, corada, tentando se esconder
Guarneceu-se de frente e de trás
Com todas as sacolas carregadas
E numa loja se escondeu
Ninguém de lá se moveu,
Quando chegou em casa,
A doce fêmea excitada,
Deixou-se ver,
Nua, provocante, bolinada,
Por detrás da esvoaçante cortina de voil
Dizendo então pra toda gente
Que o vento agradara
Mexera, excitara, acendeu-lhe a tara
E ali então deixou-se cair sobre a poltrona
Saciada, cansada e extasiada,
Quiçá, até a próxima ventania...
Que poderá ser amanhã, ou noutro dia...

Vera Celms
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O trabalho TESÃO DE VENTANIA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.