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domingo, 31 de agosto de 2014

DO ALTO DO PRÉDIO





Olho o céu enegrecido,
Do alto do prédio mais alto,
Quem aqui me visse,
pensaria ser eu um suicida,
Jamais imaginariam asas
Meu pensamento veloz,
Minha criatividade tão fértil,
Jamais imaginariam  muito além,
do que os olhos veem ...
Passado remoto, marcado e amarrado,
Amordaçado,
Assinado a lágrimas e sangue,
Avalizado castigo,
Gerações de histórias tão comuns,
Sofrimento atroz; pedido, escolhido,
Perdão implorado,
Dores, caminhos estreitos, árduos,
Espinhos, lama, fumaça, escuridão,
Insuportáveis mazelas,
Tontos pássaros negros cortando a noite,
em rasantes voos desesperados,
E o som de motores invisíveis,
Faziam gelar o mais valente coração,
Quem de nós não ataca por defesa?
Quem de nós não mata, pra não morrer?
Vigio a noite do alto,
Vejo as nuvens enegrecidas,
formarem-se em rolos opressores...
Medo, fúria, vingança,
Correm livres pela terra,
Aqui do alto, tudo é impalpável,
incalculável, irrevogável, irretocável...
Aqui do alto, eu mando no mundo...

Vera Celms
Licença Creative Commons
DO ALTO DO PRÉDIO de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

DIZER NÃO COMO SE DIZ SIM




Não; não me digam, que não!

Se o "não", que vier de vocês,

For um reverso ou uma negação –

De um talvez, "uma e outra vez"…



Saber dizer "sim" Saber dizer "não"…

A ambas pede-se como Requisito

Uma "Escola" feita com devoção

Onde estudar: de novo, seja bem-visto!



Lembro-me bem, de no meu tempo

Chamarem-me – já lá vinham

As drogas –, de "Gaito", em contratempo,

Porque as desgraças se advinham…



Mas com galhardia estudei e aprendi,

De tamanho, que quando se se diz "não"

Se pode sorrir mas jamais quer dizer "sim"

Os fluídos de uma silenciosa "tensão".



Jorge Humberto

27/08/14

 

domingo, 24 de agosto de 2014

MAL TE CONHEÇO MAIS

E quando a manhã se apressa e se põe a corar
As águas que vão no rio têm o condão
De alargar margens que parecem chorar:
Como se se ouvisse ao longe o bater dum coração.


Ou é um bater de um coração ou de alguém
Um doce sorriso – que no céu se pôs a brilhar…
E já raia forte no ar o sol: que me trouxe d`além
Esta que inda hoje me estimula e me a faz amar.


Mas se julgas que falo do sol ou aquém de uma outra
Alguém pois digo-te que te enganas
Porque a ti própria… a ti própria… mal te amas.


Dime pois e sem receio algum: preciso falar d`outra
Aqui quando de ti mesma já te socorres
E no te socorrer quem foste hoje és feneces e morres?


Jorge Humberto
24/08/14

ARTROUTES

INSPIRADA NO SITE "ARTROUTES" do particular amigo CRISPIM A CAMPOS  
A IMAGEM DE FUNDO USADA NO POEMA É FLASH DE OBRA CONSTANTE NO SITE. ACESSEM O LINK ACIMA, VISITEM !!!




Espreitas a vida diante do espelho,
Por detrás das vidraças embaçadas,
Figuras sem identidade,
Sem nomes, nem números,
Impreciso olhar,
Altares e escudos,
Motivos escusos,
Perfis anônimos,
Assuntos lacônicos,
...”Narciso acha feio, o que não é espelho,”...
Não se respeita, o que não se explica,
Não se confia, em reflexos
Antevertido tronco sobre espelho d´água
Nudez ocultada em olhos semicerrados,
Arte, linguagem de alma crua,
Estrada aberta a mão
Peito afogado em paixão
Seguro-te em riste, a frente,
Faço-te flamular em mim,
Olhos, tato, salivar,
Guarda cada impressão,
Da vida, para que entenda,
Da sorte, para que enfrente,
Da morte, para que reinvente
Fala-se de vida, de sorte, de morte,
Na pena, na cerda,
na certa, é preciso arte...

VERA CELMS
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

GENTES SEM ESCRÙPULOS




Palavras incoerentes nada dão e nada tiram:
Reservam-se há sua insignificância!
São vazias rudes sem preponderância
Jamais alcançam objectivos - nada retiram.


E se jamais alcançam objectivos seguros
É porque tamanha é a sua trágica insegurança –
E quando dentro ocorre a vil matança
Ilusionam falseiam e vão por dentro… dentre muros.


Amigos não têm nem sabem nem o que é bem
Nem bem sabem o que vai mal -
Usam e abusam da incongruência e mais além!...


E assim ante a inépcia perante “um mundo sociável”
Fogem quais vermes presos ao lamaçal:
Não sem antes arrastar a “presa” para o imponderável.


Jorge Humberto
15/08/14



terça-feira, 12 de agosto de 2014

BLITZ




E são guerras e mais guerras sanções humilhantes
De quem rouba ao povo o seu lugar à mesa
Da raiva das palavras das “blitzkrieg´s” ultrajantes
Num silêncio de criança que dói como única certeza.


A certeza única aliás de serem elas os escudos humanos
Das gentes sem nome prometendo-lhes o céu…
E ante a voz sem rosto brincam entre gases propanos
Já elas ignoram dos misseis o tamanho escarcéu…


E dos escombros mais escusos às bombas assassinas
Pendem pernas e braços na dureza das rochas -
E choram mães plangem pais detrás das antigas cortinas…


Mas aqui o mais cruel é ver às gentes incitando à guerra
Que dizem ser “Santa” - mas se se apagam as tochas
Destas novas gerações que planta o Homem aqui na Terra?


Jorge Humberto
12/08/14

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ME BUSCA





Falta o olho no olho,
A mão na mão,
O calor, o olor, o sabor,
Falta a proximidade,
A palavra, mesmo não dita,
trazida no olhar...
Falta você aqui,
Eu aí...
Falta de amor,
Que falta me faz!
Precisava de você mais perto,
De você tão meu...
Queria você do lado,
Dentro,
Querendo tudo,
Querendo nada,
Mas ainda assim, buscando...

Vera Celms
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

SONETO A MEU AMOR



Nasce o dia doira o sol – penso em ti!
E tal qual como que num imenso jardim
São das flores perfeitos-amores
Os sugestivos beijos em subtis olores.


Ontem como hoje lembro bem
Que não foras tu não seria mais ninguém…
Que não foras tu que poderia eu almejar
Que não o ficar sem caminho pra caminhar?


Ah, e nesse dia em que enfim te conheci
Foi lá que mi alma simples deixei -
E uma tal de febre em desassossego a sosseguei!...


E é por tudo isso e por tudo o que então vivi
Que jamais esqueço estas palavras singelas:
E foram portas amor e foram janelas.


Jorge Humberto
05/08/14

domingo, 3 de agosto de 2014

PARA TI NANCI LAURINO



A tua presença me guia
Leva-me para todo o lado
E tal como a noite procede ao dia
Eu vou cantando encantado.


Sem a tua forte presença
Sou pouco mais que nada
Autêntica e nula ausência
Que espera escancarada.


De ti jamais me afastarão
- Mil invejas em vil surdina -
Que ninguém cala meu coração
Quando por ti grita ó divina.


Ó divina de mi alma
Se houvesse um grito em vão
Se houvesse nefasta calma
Mais qui alma dar-te-ia elevação.


E se hoje sou quem não esquece
- Alegria e encantamento -
É porque em mim sempre enternece
Tua lembrança sem esquecimento.


Estes agora outros versos cantados
Noutros tempos viveram
Hoje e sempre enamorados
Fui busca-los: nunca esconderam.


Jorge Humberto
02/08/14

AMOR CHEGADO





Sair ali fora e ver você,
Materialização do meu sonho
Chegado,
ali fora,
Ao alcance da mão, toque possível
Salivação presente,
Príncipe e sonho idealizados,
Princesa e desejo incendiados,
Ansiosa e acesa,
Desejosa e afeita...

Vera Celms
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