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segunda-feira, 7 de abril de 2014

À BANALIZAÇÃO DA POESIA




 

Ando cá e lá…

Sou tanto de desdenho

Como sou de incongruência,

De minhas múltiplas vontades,

Dos meus desejos mais carnais,

E já me questiono

No supremo abandono,

A que votei estes meus passos,

Que se eu fora um pouco mais,

Do que o que aqui se mutila,

Certamente veriam da luz o sobrolho,

E do olho a vasta pupila,

Que não cabe na vulgaridade,

Ou na banalização do facilmente

Dedutível.

Mas, por outro lado, se sou quem

Se omite e representa,

Quem é o que se ostenta

E vem até mim, de palavra vã,

Como num fulgor dado à manhã,

Sabendo eu que lá fora,

Ainda vai a noite

Segura e irreversível?

Sim… há aqui muita banalidade,

Mais de acomodatício,

Veja-se o quanto de falsidade,

Em prol de um ambidestrismo!

Antes então o que não cala

E é frontalmente isento,

De qualquer dualidade

Ou segundos critérios,

Que o sorriso como unguento,

Servido em frascos de arsénio.



 

Jorge Humberto

(13/01/2004)

Um comentário:

  1. A dualidade da vida, de todas as coisas. O olhar que cada um tem, da vida. A capacidade de se desapegar, do que parece real. A noite continuará lá fora, irreversível, até que cá dentro, consigamos de fato, amanhecer... beijos de VC, querido amigo Jorge Humberto...

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