Pesquisar este blog

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O Canto do cisne



 

Minhas mãos estão sujas

Dos pecados que te acometi

Minhas mãos vão nuas

Como de mim tudo o que perdi.



Meus dedos são garras

O pouso de minha mão

Traz o toque da morte com ela

E eu apelo à razão

Que me leve junto a ela

Sem apelo nem comoção.



Todo eu sou sombras

Coisa informe e delicada

E quanto mais eu me conheço

Quanto mais não me mereço

Mais e mais me envelheço



Para esta vida pouco mais

Que nada..

Ah, que se me cegassem os olhos

O dia em que te vi

E que as mãos me dormissem

Ao chegar-me junto a ti –



Como não há razão

Que não supere a emoção

Outro tanto de felicidade

Esquecida na saudade.

Mas ah, tu vinhas tão linda,



Nobre, o traço esmiuçado

Que eu logo supus morrer

Para não te dar agravo

Desse teu viver.



 

Jorge Humberto

27, Setembro, de 2005

2 comentários:

  1. Querido amigo, Jorge Humberto, este trabalho, é o mesmo que o anterior MINHAS MÃOS ESTÃO SUJAS ? beijos de VC

    ResponderExcluir
  2. Um belíssimo poema, é um prazer te ler, parabéns poeta, bjs MIL.

    ResponderExcluir