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domingo, 23 de fevereiro de 2014

O Canto do cisne



 

Minhas mãos estão sujas

Dos pecados que te acometi

Minhas mãos vão nuas

Como de mim tudo o que perdi.



Meus dedos são garras

O pouso de minha mão

Traz o toque da morte com ela

E eu apelo à razão

Que me leve junto a ela

Sem apelo nem comoção.



Todo eu sou sombras

Coisa informe e delicada

E quanto mais eu me conheço

Quanto mais não me mereço

Mais e mais me envelheço



Para esta vida pouco mais

Que nada..

Ah, que se me cegassem os olhos

O dia em que te vi

E que as mãos me dormissem

Ao chegar-me junto a ti –



Como não há razão

Que não supere a emoção

Outro tanto de felicidade

Esquecida na saudade.

Mas ah, tu vinhas tão linda,



Nobre, o traço esmiuçado

Que eu logo supus morrer

Para não te dar agravo

Desse teu viver.



 

Jorge Humberto

27, Setembro, de 2005

FATALISTA





Sucumbi aos teus delírios
Te acompanhei a todos os lugares
Fui aos recônditos das tuas paranoias
Ouvi palavras aflitas
Carregadas de medos e temores
Assisti a crises de pânico
A delírios,
visões deturpadas,
Mania de perseguição, e fatalismo,
Todos te vigiando,
Escutas, vigilhas,
Até os Orixás duvidavam
Todos os Exús desacreditavam
Vizinhos, ex amigos,
Plateia tão necessária,
Veículos suspeitos nas esquinas
Cortinas se fechando repentinamente
Olhos maldosos
Comentários cochichados,
Intrigas, difamações gratuitas,
Linhas grampeadas, clonadas,
Pessoas assustadas,
Todo lugar é perigoso
Armado até os dentes,
Armadura brilhando,
Um guerreiro das sombras,
Um destemido lutador,
Sucumbi aos teus delírios,
Pra você, eu morri...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho FATALISTA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Minhas mãos estão sujas

Minhas mãos estão sujas
Dos pecados que te acometi
Minhas mãos vão nuas
Como de mim tudo o que perdi.
Meus dedos são garras
O pouso de minha mão
Traz o toque da morte com ela
E eu apelo à razão
Que me leve junto a ela
Sem apelo nem comoção.
Todo eu sou sombras
Coisa informe e delicada
E quanto mais eu me conheço
Quanto mais não me mereço
Mais e mais me envelheço
Para esta vida pouco mais
Que nada...
Ah, que se me cegassem os olhos
O dia em que te vi
E que as mãos me dormissem
Ao chegar-me junto a ti –
Como não há razão
Que não supere a emoção
Outro tanto de felicidade
Esquecida na saudade.
Mas ah, tu vinhas tão linda,
Nobre, o traço esmiuçado
Que eu logo supus morrer
Para não te dar agravo
Desse teu viver.

Jorge Humberto.
27, Setembro, de 2005

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Amar-te... vida em mim

Amar-te... vida em mim

Sinto-me doente, de tanto sentir.
Enlouquece-me este estar a sós comigo.
Vem, amor, eu estou só e tão sofrido,
Que melhor seria saber-me mentir.

Ah, mas mentir, mente quem pode,
Não sofre revés, de ato insano.
Mas eu ingénuo me descambo,
Sofrendo a dor, de ser meu nome.

Sempre o tempo há de correr,
Menos a loucura sem retorno.
E inda que eu morra ao abandono,
Serás tu, razão e vida, de meu viver.

Que todas as lágrimas fossem aqui.
E o mar, que houvesse de trazê-las,
Fossem estas minhas mãos, a enternecê-las
E todo o meu querer, estar junto a ti.

Jorge Humberto
(17/12/04)

CASAL DE SABIÁS

PERTO DE MINHA JANELA
VI O CASAL SE AMAR
ELA BICAVA  SEU BICO
ELE SEU BICO A BICAR
ESSAS BICADAS  CARINHOSAS
PARECIAM TÃO GOSTOSA
COMO BEIJOS QUE UM DIA GANHEI.
VENDO O AMOR  DOS  PASSARINHO
EU NA JANELA SOZINHO
DE SAUDADES CHOREI
SABIÁ AMAVA SUA FÊMEA
COMO EU AMEI UMA MULHER
COMO UMA DEUSA DO AMOR
NÃO COMO UMA FÊMEA QUALQUER
SE AMARAM SE BEIJARAM
DEPOIS FIZERAM SEU NINHO
E  OS FILHOTES CRIARAM
DEPOIS  SEM DIZER PRA ONDE
OS QUATRO JUNTOS  VOARAM
COMPAREI  MINHA VIDA
COM  A  DESSES PASSARINHOS
CASAL VOARAM JUNTOS
A MINHA ME DEIXOU SOZINHO


M A N O E L  C O R R E A








domingo, 9 de fevereiro de 2014

NOS BRAÇOS DE NÓS DOIS





Meu corpo sente,
Pressente sua chegada,
Enviando toda a circulação
Para um só ponto
Como um olor,
Ao olfato, imperceptível
Ao desejo, tão sensível
É como se meus hormônios,
enlouquecessem,
anunciando a sua chegada
Pelo alto-falante, mais uma chegada,
Mais um destino que se completa,
E eu, enlouquecida, te espero
Inquieta, procurando esgotar os espaços todos,
Caminhando...
De repente, alguém sob camisa vermelha,
Atrai todos os meus sentidos,
Pronuncio seu nome,
E nossos olhos se encontram,
Sem mais conseguirem se afastar...
A pulsação, aos poucos, toma conta,
E responde ao ritmo da respiração já ofegante
Nossos olhares, atraem nossos abraços
E nossos abraços, nos aproximam,
para um beijo e mais um beijo
Caminhamos em torno dos nossos desejos
E os avolumamos mais, provocando-os...
Precisando de nós, cada vez mais, a cada passo
Até acabar a noite, afinal,
Nos braços de nós dois...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho NOS BRAÇOS DE NÓS DOIS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

MEU ADEUS


MEU ADEUS
(a Penhah)

Querida, Penhah

Ficam os muitos anos, de linda amizade
(E perdurarão)

Pousando minha mão, repousando-a no teu rosto
(Sereno… sereno)
Nos versos cantados …

Mulher de antes torcer do que quebrar.
Teu coração continuará a alumiar, teus poemas de amor.

E, se me o permitires
(Daí, de onde estais)

Meu último Beijo,
Na testa, permanecendo.

(Meu eterno respeito).

E
Sigo contigo - caminhando.
(Triste, tão triste).

(O tanto, mui, que desconheço)
E sinto-o… sentindo.

Jorge Humberto
08/02/2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

QUANDO A CHUVA CHEGAR...






QUANDO A CHUVA CHEGAR... 

E não chove,  
o ar está pesado, 
o suor escorre dos poros, 
o calor é insuportável. 
No sofrimento do povo, 
a seca que transtorna, 
sede, cansaço e fome, 
a erosão que desola, 
uma tristeza sem nome, 
á espera do milagre, 
á espera da bendita água, 
queira Deus chegue logo! 
Quando a chuva chegar, 
quero ver sorrisos novos, 
sem medo de tempestade, 
gente na chuva a cantar, 
dando um olé aos céus, 
como crianças na calçada, 
molhando os seus pés. 
Quero ver nos rostos, 
aquele ar de felicidade. 
Por todos nós, pela terra, 
pela vida, oh Deus, 
que a chuva chegue logo! 

Maria Iraci Leal/MIL 

POA/RS/Brasil 06/02/2014 
Obra protegida

domingo, 2 de fevereiro de 2014

DOENDO E INCOMODANDO





Olho para o início do dia
E no horizonte nuvens negras
O peso de uma montanha sobre os olhos
- Enlameada montanha embaçando meu olhar -
Tento mover-me na cama
Pareço anestesiada, paralisada,
Não consigo pensar,
Não consigo entender o próximo movimento
Sou uma jogada inválida no tabuleiro da vida
Falo e ninguém ouve
Choro e ninguém vê
Embruteço e todos ressentem
Só o canal da dor está aberto
Só mais um motivo de magoa
Só mais um berro reverbera
As palavras doces são inaudíveis
Em peito vazio, chamamento é eco,
Não cobro mais, não peço mais,
Não chamo mais,
Isolo-me em quarto escuro,
Pedindo silencio, só silencio...
E os fantasmas pantomimam desaforados
Riem-se de mim, gargalham,
Verdadeiro teatro de horrores!
Busco por amigos, encontro desertores,
Peço colo, dão-me as costas,
Conquistam-me o coração, para ignorá-lo,
Sequência desleal da história,
Solidão dói e incomoda,
Talvez, melhor mesmo: parar por aqui...

Vera Celms
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DOENDO E INCOMODANDO de Vera Celms é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.