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domingo, 14 de julho de 2013

O QUE VOCÊ FARIA ? (CONTO)





Quero pedir a Deus e aos anjos  que me deem força  e sabedoria, para  contar algo muito estranho, que me aconteceu..
Apesar de ser meio descrente, não crer em nada  de outra vida, mesmo assim o que passei me fez pensar e muito. Que talvez, só talvez, eu esteja errado,  pois o que me aconteceu foi incrível !

Rotina: jantar, um  pouco de TV,  ler um ou dois capítulos  de um livro. Fui para o quarto mais ou menos as 23:30 h  de quinta feira.
Esticava os lençóis para deitar, quando vi,  dentro do quarto, dois homens estranhos. Me pareciam conhecidos,  pois não tive medo nem nada. Me parecia normal, eles estarem ali, como se eu esperasse aquela visita. 
Me pegaram pela mão,  me levaram para a sala, mas eu me via esticando os lençóis. Para mim, era normal estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Um deles me falou: - vamos dar um passeio. Você verá muita tragédia acontecendo. Dependendo de sua reação,você poderá lembrar do que viu. Verá muita tragédia acontecendo. Irá interferir e mudar alguma delas.  Só em uma, poderá lembrar que viu, mas nunca, em qual interferiu e mudou o final,  para não afetar sua vida terrena. 
Muitas pessoas já passaram por experiências espirituais,  mas nunca se lembraram.
Você será privilegiado. É do interesse espiritual, que você faça parte desse passeio, pois irá contar a outros, muito embora, muitos não vão acreditar, dirão que foi um sonho, ou mesmo invenção de sua mente...

PRIMEIRO ACONTECIMENTO:
Conheci a vida de Henrique desde sua linda infância, até o dia da tragédia.
Garoto bonito,  cheio de vida,  feliz. Muitas meninas queriam ser suas namoradinhas. Mas, ele só tinha olhos para Carolina. A mais bela da escola que estudavam.  Carolina também o amava, era um belo par de namorados. 
 Se amavam muito, viviam um para o outro.
Chegaram as ferias e cada família foi para um lado.  
Carolina, foi para o litoral, onde viveu dias maravilhosos, mas sentia falta de Henrique. 
Henrique, foi para uma fazenda, de um amigo de seu pai. Também sentiu falta da moça.  Se divertiu, andou a cavalo, nadou no riacho,  pescou, tudo enfim, que de bom, uma fazenda oferece.  
Mas, numa tarde foi só, ao riacho, e  uma serpente venenosa o picou. Com muita dor, sem poder andar, pois tinha sido picado na perna, passou muito tempo, até que alguém o encontrasse. Foi levado ao  hospital já em estado de coma.  O médico,  para salvar-lhe a vida,   teve que amputar sua perna.
Depois de algum tempo de recuperação, voltou para casa, e no ano seguinte voltou a escola.
Sua vida mudou, já não era aquele moço alegre, não procurava os amigos.  Só seu amor, por Carolina,  não mudou, parece que aumentou. 
A mocinha, começou a se afastar dele, já tinha outro namorado, Fabio, e deixou de vez, de conversar  com Henrique. 
Numa tarde, ele viu os dois se beijando. Furioso pensou: - os dois vão me pagar por essa traição.  No outro dia, mandou um bilhete para  Fabio, pedindo  para ele ir rápido ao horto florestal, que sua namorada queria vê-lo.  Mandou outro para Carolina, dizendo que seu namorado a esperava. 
Fabio pensava: - que será que Carolina quer, num lugar ermo sem ninguém por perto?
Lá chegando, encontrou Henrique, com uma rama na mão, que obrigou ele a se deitar, e o amarrou com muita força. Chutava com sua perna mecânica, até que Fabio desmaiou. Quando chegou Carolina, viu seu namorado caído.  Correu para ele, até que Henrique apareceu, e obrigou ela a deitar também. Amarrou-a,  deu-lhe um safanão, rasgou-lhe a roupa, e disse: - agora vocês me pagam por essa traição !
Nesse momento, tudo ficou escuro,  e já me vi em outro lugar...

SEGUNDO ACONTECIMENTO:
Conheci a vida de Mario , ou melhor, a infância dele.
Menino pobre, criado na rua, sempre acompanhado por sua irmã menor. 
Duas crianças sem lar, sem rumo, perdidas no mundo.  Mario, lutava com unhas e dentes, para cuidar e defender sua irmãzinha.
Não deixava que nada de mal lhe acontecesse ou que alguém a perturbasse.
Assim, tornaram-se adolescentes, cada vez mais unidos. 
Ele seria capaz de matar ou morrer, por sua adorada irmã.  Tudo o que conseguia, engraxando sapatos, era para a irmã.
Assim, a menina, agora mocinha, começou um namorico com o dono de um bar.  
Mario dizia para ela desistir  disso, pois ele era casado, pai de dois filhos pequenos, e a mulher estava grávida.  Mas o homem, foi alimentando o amor adolescente da moça, com presentes, carinhos e promessas de uma casa,  para ela e seu irmão.
Um dia a convenceu, e levou-a para um hotel vagabundo, fez tudo que quis, e a abandonou lá mesmo, no quarto do hotel, mas não, sem antes lhe dar uma surra, dizendo para que ela não aparecesse, nem na rua de seu bar.
Mario, quando viu a irmã naquele estado, chorou junto com ela, jurando que o malfeitor, pagaria por tudo aquilo.  Foi a farmácia, comprou curativos e remédio para a menina.  Passou em um posto de combustível, comprou um galão de gasolina, dizendo que era para o carro de um amigo.
Bem tarde, o malfeitor, dono do bar, foi para casa. Uma linda casinha de madeira, onde vivia com sua família.
Quando a luz se apagou, Mario pulou muro, derramou gasolina na volta toda da casa, mais nas portas e janelas. Com um sorriso esquisito, procurava em seu bolso, algo que eu achei que fosse fósforos ou isqueiro...
Nesse momento, meus sentidos sumiram, e  me vi em outro lugar...

TERCEIRO ACONTECIMENTO:
Vi uma família feliz. Um homem honesto, trabalhador, tinha uma pequena fábrica de roupas, onde era muito querido por seus empregados. 
Não era  rico,  mas tinha renda muito boa.  
Cuidava muito bem de sua linda mulher e de seus três filhos. Mulher muito bonita, também cuidava com carinho de seus filhos e do marido.
Ele,  por sua vez não deixava faltar nada.  Tudo do bom e do melhor.  Todo fim de semana, saíam para passear.  Eram muito felizes. 
Um dia, Osmar (esse era o nome que dei ao marido, pois em todos os casos, eu não sabia o nome dos envolvidos e os inventava), ficou meio doente e teve de ir ao medico. Fez vários exames. Terminada a consulta, o medico disse, que não era nada de mal. -  Foi só uma infecção que você teve na infância,  que com esses remédios, será resolvido. 
Infelizmente, não poderia resolver sua infertilidade. Mario disse ao medico:  - já tenho três lindos filhos!  -  O médico disse:  - impossível; esse mal você  adquiriu na infância.  Osmar recorreu então a outros médicos e clínicas;  todos disseram a mesma coisa.
Chegou então a conclusão, de que sua mulher era infiel. Os filhos não eram dele  !
No fim de semana, saíram a passear.  Na estrada, Osmar parou em um bar, comprou refrigerante, colocou uma droga, e deu para todos beberem. O efeito rápido,  todos dormiram. Levou então,  o carro a beira de um despenhadeiro, travou as portas, e foi para a traseira. Quando ia empurrar o carro, me vi em outro lugar, que nada tinha a ver com o caso.
                                         
QUARTO ACONTECIMENTO:
Uma linda casa, rica, grande jardim, piscina, muitos empregados, (jardineiro, porteiro, motorista, cozinheiras, babás) enfim, tudo o que o dinheiro pode pagar. Família muito rica, vovô , vovó, pai, mãe e três filhos 7, 5 e 3 anos. 
O motorista e uma babá, levavam as crianças maiores para escola, enquanto outra babá, cuidava do menor.
Um dia, duas babás levaram as três crianças, a uma praça para brincarem. Não se sabe de onde, surgiram três encapuzados,  e raptaram a todos. Jogaram todos dentro de um carro, e muito distante, deixaram uma babá,  para levar recado a família. Queriam muito dinheiro. Levaram as vítimas  a um lugar, que parecia uma chácara,  num lugar muito longe.  
Fecharam todos, em um quarto bem pequeno, sem janelas. Saíram, foram a cidade pedir o resgate.
A tarde um dos meliantes veio trazer agua, e  a menina mais velha, aproveitando um  descuido, puxou a mascara do homem.  Qual não foi a surpresa?  o mascarado era seu jardineiro. 
Ele  deu um safanão na menina, e saiu xingando, dizendo palavrões. Foi encontrar com os outros, e chegaram a um acordo, todos deviam morrer, visto que, sabiam quem era o raptor.  
No outro dia,  deram um telefone para a babá falar com a família.  Obrigaram ela a dizer, tudo como eles queriam; que todos estavam bem.  Resolveram então pagar o resgate.
Ficou acertado, que uma hora depois que recebessem o dinheiro, diriam onde estavam todos.
Alguém levou o dinheiro pedido. Um carro negro, sem chapa, apanhou o resgate e saiu  a toda velocidade.
Aí, o chefe deles, mandou o pior da turma, "fazer o serviço" nas vitimas, e depois todos se encontrariam num certo lugar. O meliante  foi fazer o que o chefe mandou (para ele, não passava de uma brincadeira  com o revolver).
Foi o que eu vi, e me levaram para outro lugar.
Primeiro, a um lugar tétrico não muito escuro, sons horripilantes, muita gente chorando, gritando como loucos, reclamavam, maldiziam. 
Entre eles, haviam pessoas diferentes. Passeavam entre eles, mas parece que não andavam, simplesmente mudavam  de lugar, de uma pessoa a outra, acalmando, acarinhando. 
Algumas pessoas os repeliam, com empurrões, palavrões mas, não desistiam, sempre  calmos, suaves. 
Notei uma coisa, dessas pessoas,  emanava um brilho, que cobria as pessoas por eles tocadas.  Tive a impressão, que as pessoas se tornavam menos sofridas, com feições mais amenas. Um de meus companheiros de viagem disse: - Essa é uma escola de preparação.  - Preparação ? pra quê ? - disse eu, mas não obtive resposta.
Em outro lugar, via as coisas mais lindas, música saía do ar, um lindo jardim...  Impossível descrever tanta beleza!  crianças, adultos, os mais belos animais, brincavam todos juntos num límpido riacho, que terminava em um lago cheio de peixes, que nadavam naquelas aguas claras,  límpidas. 
Pensando bem, na tal escola, não haviam crianças. 
Toda essa beleza me encantou. A vontade, era de não sair dali.  Novamente ouvi a voz do meu companheiro de viagem: - Se  você for merecedor,  um dia estará aqui também! - perguntei: -  Eu sou merecedor  desse paraíso ?
Não tendo resposta para minha pergunta,  olhei para o lado... e, pimba!!!  sumiu tudo... 
Eu me encontrei esticando o lençol. Tudo igual, só uma diferença:  meu quarto sempre limpo, ficou com um perfume inebriante,  que fez bem a minha alma, enfim todo meu ser.


Bem meus amigos e amigas, o que vi e lembrei eu contei.  Foi dito, no começo, que muita gente não ia acreditar !
Podem achar, que foi sonho ou invenção da minha mente. Não os culpo, pois até eu, fiquei confuso.
Sei que não foi sonho e nem invenção.  Seja lá o que for, quero que eles voltem e me façam esquecer de tudo, pois sofro muito, ao lembrar de tanta tragédia.  
Sei que mudei uma delas , mais qual ? Me mortifica não poder evitar todas que vi.   Bem, todos que vi,  não tinham nomes; Não sei o lugar, e se citei algum nome, foi por mim inventado.
Não peço que acreditem, nem quero influenciar  na crença de ninguém.  Se porventura, ler esta historia, me responda: - qual tragédia você evitaria?  
Continuo pedindo que me façam esquecer  ...
GRATO,

MANOEL CORREA

3 comentários:

  1. Querido amigo Manoel,
    Arrepiante esse conto! Não sei bem o que eu faria, se tivesse algum poder de escolha. Difícil dizer, difícil escolher, impossível evitar...
    Esquecer, tenho certeza que jamais irá... mas, creia, arrepiará as pessoas, todas as vezes que contar... PARABÉNS pelo conto.... beijos de VC

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  2. como sempre fico sem palavras não sei se agradeço ou se te dou um abraço , ambos vc merece espero ser lido por muitos me dará força para postar outros MEU MUITO OBRIGADO BJS

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