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segunda-feira, 17 de junho de 2013

A CRIATURA




Podeis pensar, abusivamente, que vos falto à palavra,
Quando em meus devaneios, ao Homem dou assunção.
Não há pessoa, neste mundo, que não seja escrava,
Voluntariosa e compulsiva, forjando aqui, sua condição.



Direis, que é próprio do Homem, qual vicio que lavra,
Ir no arrepio da vida, na transe diária - basta servidão, 
Que rouba às pessoas, seu discernimento, e crava
Suas garras, infames, na carne inerme, caída no chão.



Todo o Homem é egoísta – vinde, pois, declarai-vos –,
Que não há nada que faça, se não for seu beneficio;
E assim, arrogantes, andamos, sem quaisquer laivos:



Criaturas perdidas, num deserto sem fim; verdadeiras
Se tornariam, se não fizessem mau uso, do resquício,
Que, pouco a pouco, gesto a gesto, as diz inteiras.



Jorge Humberto
10/12/07

2 comentários:

  1. MAGNÍFICO VERSAR, IMENSO PRAZER DE LER, PARABÉNS POETA JORGE HUMBERTO, BJS MIL.

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  2. Querido Jorge, a condição humana sempre conturbada, estranha... por vezes rasteja entre as valas do vicio e da servidão, por vezes, por egoísmo ou arrogância acabam aprofundando ainda mais a vala da condição... belo soneto sobre as mazelas humanas... beijos de VC, querido amigo...

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