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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

NOVO CONCLAVE



O formato da minha fé
Pode não ser o mesmo
Pode não ter o mesmo tamanho
Um rio que não corre no mesmo leito
Sem deixar de ser rio
Qual o aval?
Como pode um homem,
Um grupo de homens
Julgar-se capaz de representar
A fé de todos os homens
E impor formatos, leis, regras,
Dizer como amar,
Dizer a quem desamar,
Ditar o certo e repudiar o errado
Quem acerta e quem erra,
E aos olhos de quem
Não há edificação capaz de representar
O que Aquele Homem,
disse na Montanha, com o sol sobre sua cabeça
A Palavra se espalhou
Tanto, que alguns homens acharam  por bem,
de forma vã,
Aprisionar entre paredes
Escrever em papel  o que Ele escreveu em pedra
E a cada novo papel uma nova leitura
E a cada nova leitura uma nova interpretação,
E a cada nova interpretação, novas palavras
Foram mudando virgulas de lugar
Palavras de época,
Inventaram um tal de pecado
E o que se conhece
É o que se tem
Uma nova versão,
Uma nova palavra, só dos homens
Como pode um homem, um grupo,
Dizer tanta coisa?
Tomar pra si a Santa palavra?
Renunciar por discordância ou tolerância?
Se fosse a Santa vontade, expressa por tantas vãs palavras,
Não haveriam tantas guerras santas...
Vem aí, um novo conclave...
Que Deus continue olhando por todos nós,
Amem...

Vera Celms
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O trabalho NOVO CONCLAVE de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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