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domingo, 23 de setembro de 2012

ENXOVAL GUARDADO




Talvez eu seja só de outro tempo,
de quando se acreditava nos amores,
De quando os amores tinham só um peso,
Tinham só um rosto
Tinham só um credo,
Nem tão distante!
Não de quando qualquer amor era “amor”,
Não de quando se curava mal de amor com solidão,
Sou do tempo que já se admite fantasias,
prazer, orgasmo, loucas viagens,
Das mansas taras, da libido inflamada, ousada,
Da mulher feliz,
Da busca, da tomada de novos rumos,
De se admitir volta,
De se admitir o próprio erro...
De quando a vida já passou a ser via de duas mãos,
Da época da redescoberta,
De que a luz ao final do túnel não tem de ser um trem
De que água mole em pedra dura tanto bate,
até que molha todo mundo...
De que até os relógios que atrasam também podem adiantar um dia,
E que águas mansas podem sim ser só um poça
Sou da época da reinvenção da vida, dentro da própria vida,
De que nem sempre precisamos fechar para reforma,
Sou de uma época romântica, poética...
Cresci, evolui, transcendi...
O mundo deu tanta volta, mas continuamos aqui,
E acho que só dessa vez, abri o baú do tempo
E encontrei intacto o monograma do passado no enxoval guardado
Justo agora que aprendi como se criam monogramas,
Mas, agora, e antes de mais nada,
Vamos esperar evaporar o cheiro do tempo...
E só então saberemos se ainda vamos querer usar alguma coisa...

Vera Celms
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O trabalho ENXOVAL GUARDADO de
Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

2 comentários:

  1. Maninha Vera,que magnífico poema, realmente me encantei... Que maravilha dá até dueto, vou tentar... mil bjs p/ti, mana MIL.

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  2. Obrigado Maninha Mil... vamuaí... duete, será um prazer... beijos de VC

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