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domingo, 10 de junho de 2012

SILENTE MANHÃ



Conspira, com a fina garoa
Com o vento que chicoteia a pele
Puxo o casaco de novo
Mais alguns passos
Tudo parece igual
Como se no tempo tivesse voltado
E a tudo reencontrado
Diante do meu passado,
Lembrei ter sido a criança daquela casa
Lembrei ter subido naquela arvore
Lembrei ter percorrido
aquela  estrada de terra
Descalço e despreocupado
Estilingue no bolso
Derrubava frutas,
e no pé do pé, sentado comia
Silente manhã conspira
A que os sons antigos compareçam
Direto da memória para a saudade
Fecho os olhos e o mundo gira
Como túnel do tempo
Como queda barranco abaixo
Daqueles tempos lá de longe
Sinto gosto de fruta,
A pele molhada do rio e da garoa
Os pés acostumados aos caminhos
Perfumes de flores
do jardim de minha mãe,
Violetas rasteiras,
Pencas de flores-de-maio
Palmas estiradas em varas
Roseiras carregadas
Andando ligeiro fui crescendo
E foi da janela daquela casa
que olhava todo dia a Rosinha
Moça bonita de longas madeixas
Que deixava no ar, quando passava
O perfume dos cabelos em minhas queixas
Foi na plataforma daquela estação
Que conheci a Francisca
Mulher bonita, que flechou meu coração
Fui embora daqui, com o coração magoado
Quando soube que ela havia casado
Enquanto estive a sonhar
Hoje volto, e vejo que na minha rua
De um lado mora Rosinha
Do outro mora Francisca
E daqui desse lugar,
Só sinto saudade de mim...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho SILENTE MANHÃ de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

2 comentários:

  1. Eita poetaaaaa! Maninha Vera, mais um belíssimo poema teu, ameiiiii, gde beijo, irfã MIL.

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  2. Opaaaa... obrigado MANINHA MIL... grande beijo pra ti também... de VC

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