Pesquisar este blog

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Oh triste riso! Poema MIL.


Oh triste riso!


Oh triste riso

Riso que espanta
O gargalhar fingido
Que esconde
Tanta dor e tanta fome
O riso do menino exilado
Condômino das calçadas
O ventou levou para sempre
A alegria desta criança
Nas ruas, trancafiada
Que dorme nua e violentada
Em desgraça e desencanto
O viver sem dignidade e sem nome
E os incautos que cospem na sociedade
Não terão a sua nudez castigada
Sem olhar para o lado
Atiram seu lixo perfumado
Aos que vivem debaixo das pontes
Ao relento, ao léu, sem horizontes
Assim caminha a humanidade
O bandido não irá para Alcatraz
E aquela criança viva ou morta
Seguirá sendo um incômodo
Se morta vai para a cova rasa
Um indigente feito verme
Se continuar vivo
Podes crer amizade
Ele será mais um bandido
É um menino abandonado!


Maria Iraci Leal_MIL

15/12/2011
POA/RS/
Creative Commons License
Direitos Reservados

Um comentário:

  1. MANINHA MIL, teu poema é denso, cativante...
    Cruel certeza da realidade desses seres humanos.

    "Condômino das ruas...

    ...Nas ruas, trancafiada..."

    Fantástico... metáforas perfeitas... lindo, amei

    beijos de VC

    ResponderExcluir