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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ContraVersos pra Ela

Fique longe de mim!!
Nunca há de ouvir...
promessas de amor

farei a ti somente,
que sintas muita dor.
Eu morreria antes de
ser feliz ao teu lado.

Como poderia quiçá...
tu mostraste-me, mulher
que minh'alma é negra

Eu sempre te mostrei
As feridas que carrego
E tu apenas ignoraste

Te contei meu medo
Quando me viu sangrar,
Eu pude perceber
a partir daquele momento
eu Nunca amei

antes de te conhecer
tudo era real
menti pra mim quando acreditei:
Isso é verdade!

Hugo Roberto Bher

P.S. Leiam também de baixo para cima

DE CHOCOLATE HOLANDÊS


DE CHOCOLATE HOLANDÊS

Escultura viva
Que derrete ao toque da mão
Teme o calor do verão
Não se mete a alta tensão
E desintegra no meu tesão
Entontecida, de ti me entorpeço
Endorfinas soltas na corrente sanguinea
Faz-me elevar a pressão
Olho-te, desejo-te, enlouqueço-te
Desço por ti a língua rija
Sorvendo teu doce
Com a boca borrada
Vejo-te suplicar meu toque
Sem resistência e com cuidado
Guio-te em riste entre as mãos
Pressionando-o com os dedos
Introduzindo sussurros bem próximos
Escapados da língua que intrometida investe
Sem pudores, sem vergonha,
Sem parar,
Como quem quer entrar
E assim te vejo derreter
Na minha língua, entre minhas mãos
Escultura minha de você,
de chocolate holandês.
Cercado de morangos desta vez

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho DE CHOCOLATE HOLANDÊS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Afeto real e sincero... Poema MIL.


Afeto real e sincero... 


 Quero o afeto 
 Verdadeiro, coisa de alma 
 Não quero seu tempo inteiro 
 Nem milhares de palavras 
 Que morrem com a força do vento 
 Nem sempre fazem jus ao sentimento 
 Não quero nenhum ou algum louro 
 Tampouco que me coloque num pedestal 
 Pois isto traz decepções e logros 
 Só quero que me ame, pelo que eu sou 
 Quero o afeto que e, mais do que 
 Me seja amor ou amizade companheira 
 Nunca esteja aos meus pés ou na frente 
 E sim caminhe lado a lado comigo 
 Para o que der e vier ou quando necessário 
 Que haja alegria no compartilhar 
 Mãos estendidas á se oferecer e abraçar 
 Quando a vida me fizer chorar 
 Um afeto verdadeiro 
 Coisa de alma mesmo 
 Que não se perca á esmo 
 Não se perca á toa 
 Por qualquer coisa 
 Seja afeto real e sincero! 


 Maria Iraci Leal/MIL 
 28/02/2012 
 POA/RS/Brasil

SEMPRE

SEMPRE

AINDA

AINDA

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Amigo... Poema MIL.


Amigo... 
É como um sol que aponta 
No horizonte de nossa vida 
Banha de luz e dá guarida 
É como um portal aberto 
Á nossa passagem 
O apoio inconteste 
A palavra sempre amiga 
Estimulando nossa jornada 
Com seu abraço é o incentivo 
De todas as horas incertas 
O carinho constante 
O aconchego na tristeza 
A alegria com nosso sucesso 
Amigo é como o sol 
Que banha de luz e dá vida 
Alguém muito especial 
Compartilhando a existência 
Um irmão do coração 
Que sente a nossa alma!


 Maria Iraci Leal/MIL 
26/02/2012 
POA/RS/Brasil

Peleja

Deus chamou o Diabo
Para poder conversar
O assunto era sério
Uma decisão era preciso tomar.
Lúcifer chegou rindo
Com o tridente a balançar
Deus sentiu o deboche
Tratou de pacificar.
Explicou para o Diabo
Toda a situação
Uma de suas filhas
No céu podia ficar não.
O Diabo se negou
Bem típico dele isso era.
Foi você quem a criou
Agora fique com a fera.
As nuvens ela vai grafitar
E beijar a boca dos anjos,
Você pode me ajudar
No inferno só tem marmanjos.
Meus demônios vão gostar
Mas o que eu vou fazer?
Se tudo ela descontrolar
Dor de cabeça eu vou ter.
Ela brinca com o fogo,
E vermelho é a cor dela
É bem o seu tipo de jogo
Terá poder sobre ela.
Ela não se corrompe
Você a fez assim
Agora que perdeu o controle
Passa a bola pra mim?
Ainda não estou preparado
Para a desordem
Minha casa enfrentar
Eu sou todo certinho
Isso vai me atrapalhar.
Então o que fará?
Deixe-a lá mais um pouco.
Ela ficando por mais tempo
Você se livra do sufoco.
O tempo dela já passou,
Ela não para de inventar.
Mesmo com as dificuldades
Nada a consegue frear.
Talvez com o peso da idade
A resistência dela se vá.
E quando tiver serenidade
Você a poderá chamar.
Deus e o Satanás assim
Tinham um acordo fechado.
E aquele vaso ruim
Acabou sendo premiado.
Rebelde por criação
Em vez de um final
A mulher furacão
Venceu o bem e o mal.
Essa história é verdadeira
Da mulher que venceu a morte
Por uma vida inteira
O que muitos chamam de sorte.
Muitas coisas ela fez
Contos ela tem de monte
E quem não acreditar
Se quiser que outro conte.

Canalha

Canalha, canalha, canalha...
Decifrei tuas mentiras,
Descobri a traição,
Dei um stop em você,
Canalha, canalha, canalha...
Vê se vaza da minha vida,
Não quero em mim
Essa ferida,
Você tem pus no coração.
Tremendo 171,
Mentiroso, hipócrita, safado...
Canalha!
Te cortei da minha história,
Golpe certeiro de navalha.
Não consigo ver vitória
Em viver com um
Canalha, canalha, canalha...
Eu quis amar você,
Condição legal te dei.
Até que eu pude ver
Tudo o que hoje eu sei.
Que você é um
Canalha, canalha, canalha...
Fica sozinho infeliz
É isso o que você merece.
Escuta a música
Que eu fiz
E vê se de vez me esquece.
Canalha, canalha, canalha...

Vício

A linha do tempo
Se foi,
Partiu.
Sem noção
Eu escrevo,
Escrevo...
Minha vida
Depende disso.
Escrevo mais
E mais,
E mais.
Minha vida é isso.
Esse vício
Que amo tanto
Que esqueço
Do tempo,
Da vida...
Minha vida
Nas linhas,
Nas letras,
Que juntam-se
Às letras
Mais
E mais.
Escrevo
E o tempo
Vai
E a linha do tempo,
Tênue,
Partiu.
Perdi
O tempo,
Ganhei
A vida
Nas linhas
Minhas.
Palavras
Contadas
Escrevo
E escrevo
E me perco
Quando perco
A noção
Do tempo,
Imenso,
Que passou.

Círculo vicioso

Sozinho,
Em meu quarto,
Meu coração
Confessa
O que minha boca
Não ousa.
Te amo!
Custei a perceber,
Recusei-me entregar.
Diante de você
Continuo negando
Todos os dias.
Talvez
Por orgulho.
Talvez
Por medo.
Mas a verdade
É que
Meus pensamentos
Se perdem
Em imaginar
Quais são
Os seus pensamentos.
E quando olho pra você
Te desejo,
Te quero.
Te sinto como
Se estivesse em mim.
Então,
Meu corpo pede o seu,
Minha boca se comprime
Como à espera
Do teu beijo.
Meus olhos úmidos
Sentem saudade
Dos teus.
Mas minhas palavras
Não têm força
Para dizer:
Te amo!
Então,
Eu fico,
Sozinho
Em meu quarto...

Desejo

Me peguei rezando
Para que o sol não aparecesse,
Para que o tempo fechasse,
Se as nuvens viessem,
E o céu cobrissem,
E a chuva caísse,
Você não partisse,
Quem sabe você me visitasse?
E o seu sorriso eu visse,
E se você
Vontade tivesse,
Poderia ser que
A minha boca beijasse,
E então
Se o desejo gritasse,
Talvez,
Quando a noite chegasse,
Seria bom se você dormisse,
E quando o dia nascesse,
Nos meus braços
Você acordasse.

Oração da confiança

Confio em Ti, meu Deus,
Sobre todas as coisas,
Sob todas as circunstâncias.
E mesmo nos momentos difíceis,
Sei que Tu está em mim,
Por mim.
Tua força carrego comigo.
Meu caminho não é errado,
Pois Tu me guia.
Minha alma a Ti pertence,
E assim será eternamente.
Agradeço-Te cada segundo
De minha existência,
Pelo muito que me deste,
E pelo que não me deste,
Pois se assim o fez
Foi porque eu não estava
Pronta para receber.
Se ora lamento o peso do fardo,
Perdoa, Pai,
Pois sou pecadora.
Logo percebo que deste-me somente
A missão a qual posso cumprir.
Assim confio,
Assim creio,
E a Ti
Cegamente me entrego.

Alma gêmea

Não importa quantos sóis terão nascido,
Ou quantas vezes meus olhos brilharam a sua procura.
Não importa quantas nuvens terão passado,
Ou quantas vezes fiquei triste por não te ter.
Não importa quantas chuvas terão molhado a face da terra,
Ou quantas vezes as lágrimas molharam meu rosto.
Onde,
Quando,
Como,
Ou quantas vidas eu terei vivido,
Também não terão importância.
Apenas sei,
Aqui no meu coração,
Que hei de te encontrar
Porque antes de eu ser eu
Já havia aprendido a te amar.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

UM BRINDE

UM BRINDE

UM BRINDE
Meus rabiscos
que falam de sonhos
Alguns ate vivi
com você….
outros ouvi nos discos
passou no cinema na TV
Em minha boca
o sabor do sal
do céu
Agua doce do prazer
seiva quente
taça de amor.
Em teu secreto
brindo a vida
teu gosto teu licor
te amo
ANDRE RUIZ

Mais além... Poema MIL.


Mais além...  


Olhar ao longe 
Descerrar os véus 
Libertar o Eu 
Ir mais além 
Rumar para o Leste 
Decolar da Terra 
Atravessar o universo  
Penetrar o Onde 
O amor se esconde 
E há luz na quimera 
Olhar bem distante 
Com olhos da alma 
Resgatar o azul do céu 
A ternura que acalma 
Voltar e recomeçar 
Tudo de novo! 


Maria Iraci Leal/MIL 
25/02/2012 
POA/RS/Brasil

Quero falar... Poema MIL.


Quero falar... 


Quero falar de amor 
Amor que acolhe e se completa 
Na alegria do outro 
Quero falar da alma 
Alma que ama E Deus proclama 
Em cada olhar e cada gesto 
Quero falar de sentimento 
Sentimento fraterno 
Que se doa e perdoa 
Amor de todos os momentos! 


Maria Iraci Leal/MIL 
POA/RS/Brasil 
25/02/2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

 GEEEEEEEEEEENTEEEEEEEEEEEEEE!!!!
A SILVIA MENDONÇA ACABA DE RECEBER ALTAAAAAA!!! INDO PRA CASA!!!!!!!
OBRIGADO AMIGOS... PELA FORÇA, PELAS ORAÇÕES, PELA VIBRAÇÃO...
VAMOS CONTINUAR VIBRANDO PARA QUE TUDO VOLTE AO NORMAL COM FORÇA... MUITA FORÇA... MUITA LUZ... MUITA SAÚDEEEEEEEEEE!!!!!
OBRIGADO A TODOS... GRAÇAS A DEUS!!!
 

Dueto: Volta/ Lady Val @ Retorno/MIL


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ILHA

ILHA

ILHA
Ilha nada deserta
habitar de amor
no calor de um beijo
Onda de desejo
seiva natural
agua de coco
Nossos gostos
sal da pele poros
suor do amor
estrelas do mar
areias escaldantes
corpos nus
Fruto do seu mar
meu desejo
molusco oculto
Ostra doce perolada
úmida de amor
ANDRE RUIZ

Falsos brilhos... Poema MIL.



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Nas lavouras do Sul... Poema MIL.


Nas lavouras do Sul... 


Dos olhos sem viço e sem alegria 
Descem lágrimas tristes, temerosas 
Dos rostos transfigurados 
Quedam-se pelas faces crispadas 
Em mais uma noite, longa de espera 
Pela chuva, o pranto do céu amoroso 
A vida que revitaliza nossa terra 
Venha aguar nosso rincão amado 
Nas horas longas de mais uma noite  
Interminável e tensa madrugada 
Na espera dum milagre, o da chuva 
E não seja de todo perdida 
A labuta, o plantio e a colheita 
A luta desta gente sofrida 
Suas lavouras e o sustento 
O alimento nosso de cada dia
As artimanhas do tempo  
Com sua grotesca bruma 
Deixa só dor e lamentos 
Lágrimas nos rostos 
Faces transfiguradas 
Semblantes chorosos 
O tempo todo eis que a morte 
Anda á espreita no Rio Grande 
Nas lavouras do rincão amado! 


Maria Iraci Leal/MIL  
POA/RS/Brasil /22/02/2012
Direitos Reservados
Creative Commons License

INFORMAÇÕES SOBRE A SAÚDE DE SILVIA MENDONÇA!!!

Ontem, a nossa querida SILVIA MENDONÇA, finalmente saiu da UTI.
Está no quarto agora, livre da sonda e dos aparelhos. Continua somente com o soro por enquanto.
Isso já significa alguma melhora...
Quero agradecer a todos os que empenharam boas vibrações energéticas e orações. Continuemos nessa corrente...
FORÇA SILVINHA, FORÇA!!!  estamos contigo!!!

Vera Celms

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Queridos amigos do BUTECO POÉTICO:


Infelizmente, neste momento não trago boas noticias sobre nossa amada SILVIA MENDONÇA.

Ela está internada neste momento.  Segundo ela, a carga viral da Hepatite C não baixa, apesar dos medicamentos  específicos e contra rejeição do transplante de fígado sofrido em Novembro último.

Por SMS ela me informou que houve um agravamento geral, por causa de baixa imunidade e anemia. Teve de ser submetida a nova transfusão de sangue. 

Os medicos não dão previsão de quando terá alta. 

Pediu que informasse a todos seu numero de celular TIM:  62 8196-6287, caso queiram fazer contato de alguma forma. 

Vamos nos unir neste momento NUMA SÓ VIBRAÇÃO!!! muito amor, paz, saúde... 

SILVINHA PRECISA DE NÓS, NESSE MOMENTO...JUNTOS...
Continuo a disposição... beijos de VC

Não desista... Grite, grite! Poema MIL.


Não desista... Grite, grite!  


Grite mesmo o seu sentimento  
Não se permita morrer aos poucos 
Levante a voz e grite aos quatro ventos 
Em algum lugar um coração amoroso 
Ouvirá suas palavras e o seu lamento 
Seja aqui ou no sem fim do universo 
As almas carinhosas estão atentas 
Ao seu existir, ao seu semelhante
Grite mesmo e com força total 
Grite sua necessidade de amar 
Não se deixe amofinar 
Cedo ou tarde será ouvida 
Vira até você o afeto bendito 
Não desista... Grite, grite! 
Eu preciso! 


 Maria Iraci Leal/MIL 
 19/02/2012 
 POA/RS/Brasil 
 Direitos Reservados

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Hoje eu preciso/Eudalia Martins @ Não desista...Grite,grite!MIL


AMOR FALICO (um poema HOMOERÓTICO MASCULINO)

AMOR FALICO

Dois corpos
Que se entrelaçam
que se entregam,
roçando pelos,
bocas e apegos,
Dois corpos apaixonados,
Não menos excitados,
que se envolvem,
se encontram e se cruzam
se entregam ao deleite prazer
ao mais profundo querer,
E se pegam,
e se inventam,
dos olhos a mais remota fantasia,
e se dobram
e se devolvem
Visão de tendões e músculos,
De mãos firmes,
de cavalgares sedentos,
de pulsares violentos,
punhos, bocas e frenesi
Dorsos desenhados,
Coxas firmes,
E a libido a escorrer,
e a escorregar entre os dedos,
tomados com bocas,
membros e corpos,
colados, suados e delirantes,
flamejantes, trêmulos,
de paixão,
de tesão,
de prazer,
expressão do puro querer...

Vera Celms

O trabalho AMOR FALICO de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Licença Creative Commons
O trabalho AMOR FALICO de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

A paz da noite! Poema MIL.


A paz da noite! 


Solitária, eu viajante noturna 
Que ás portas da noite insone 
Busca na claridade da lua 
Luz para os enegrecidos sonhos 
Sonhos meus esquecidos de todo 
Solitária, eu navegante soturna 
Deflorada em sua ingenuidade 
Evoca a paz da madrugada 
Dos silêncios a quietude 
Libertar-se das vozes que urram 
E incautas matam toda doçura 
Convertida em peregrina 
Sou a viajante noturna 
Buscadora da noite para ser livre 
Caminhar bem próxima da lua 
Sentir a paz que me urge 
Banhar-me no seu feitiço 
Que tudo encanta e ilumina! 


Maria Iraci Leal/MIL 
POA/RS/Brasil
09/02/2012
Direitos Reservados

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Transmutante

Se eu não cantar hoje
Vou explodir.
Preciso expurgar
Tudo de ruim
Que me sufoca.
Preciso estrangular
O que me estrangula:
A revolta,
O tédio,
A mágoa.
Cada agudo é um tiro mortal,
Desfigurante,
No meio das caras hipócritas.
Espasmo alucinante,
Transmutante.
Canto pra extravasar,
Pular,
Dançar.
Canto pra conter
Minha fúria,
Um surto,
Contra a boçalidade do mundo.
Canto pra não deixar acontecer
A carnificina que quero fazer.

Pão nosso de cada dia

O pão de cada dia
Não é o pão
De cada casa.
Não é o pão
Nosso.
É o meu pão,
O seu pão,
Pão do individualismo.
Egoísta e cru.
Não é o pão
Que sacia a fome.
É apenas pão.
Pão que se joga fora,
Que vai para o lixo,
O lixo que vira pão.

Incólume

Quisera eu guardar-te novamente
Em meu ventre,
Casulo seguro,
Redoma perfeita.
Quisera eu proteger você
Desse mundo cão.
Entendo agora a dor do parto.
É a dor de ter de dar ao mundo
Nossa carne,
Pedaço do nosso corpo,
Nossa própria alma.
É a dor de não poder guardar
Dentro de si
O tesouro mais precioso,
Depois de ter gerado.
A dor de carregar dois corações.
E sentir para sempre
As alegrias,
As tristezas,
As descobertas,
Do seu e do outro
Que já não é mais seu.
Dois corpos em um só corpo
E ter de entregar um deles
À sorte.
Quisera eu que voltasse
Pra dentro de mim.
E ali ficasse escondido,
Incólume,
Só meu.

Darth Vader sombra de Anakin

por Lucia Andrade

Que monstro é esse que habita em mim?
Dr. Jekyll lutando para conter Mr. Hyde.
O médico tentando sufocar o monstro.
Que monstro é esse que habita em mim?
Preso nos armários da minha consciência.
Trancado a sete mil chaves.
Que esmurra as portas querendo sair.
Que monstro é esse que habita em mim?
Que desconhece a noção do certo,
E que está urrando pela liberdade.
Fazendo ruir as bases da sanidade
Que ainda tento manter.
Que monstro é esse que habita em mim?
Que crava as garras no meu peito
Pra arrancar meu coração
De forma sangrenta e brutal.
Pra soltar o lado obscuro que vive aqui,
Darth Vader sombra de Anakin.
Que monstro é esse que habita em mim?
Que antevendo a hora da morte
Quer por força sair.
Nada mais há a perder.
Ele quer gritar,
Matar,
Correr...
Tirar a mordaça,
Quebrar as correntes,
Me dominar.
Que monstro é esse que habita em mim?
Esse monstro sou eu.
Contido ao longo dos anos.
Sob controle,
Prestes a fugir.
E que as portas do armário se abram.