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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Salvemos a poesia / Poema MIL


















“Salvemos a poesia”
O poeta é um canal de sentimentos
A poesia um meio de descrevê-los
O poeta tem a missão de levar o bem
Espargir a paz e a harmonia
“Que a poesia
Não se perca em idiossincrasias
Seja usada como instrumento
De desarmonia e antagonismo
Seja sempre sentimento de amor
Enlevo, graça e encantamento
Lágrima de dor que pede afago
Transmutação que pede carinho
Mensagem de luz que leva energia
Aos corações sedentos de alívio
Se defrontar-se com versos
Contrários aos princípios da paz
Por favor, vire a página
Salvemos a poesia!
Maria Iraci Leal/MIL
23/01/2012
POA/RS/Brasil
Ó trabalho “Salvemos a poesia" de Maria Iraci Leal
Foi licenciado com uma Licença Creative Commons
Atribuição-Não Comercial-Sem Derivados 3.0
Não adaptada   

5 comentários:

  1. Escrevi este texto motivada por poemas que tenho lido em outros locais...Poemas que de certa forma, velada, indireta e até diretamente ofendem pessoas...Enfim poemas cheios de revoltas e amargores contra o semelhante... Estou estupefata com tamanho absurdo, obrigado, bjs MIL.

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  2. Pois é MANINHA MIL, há pessoas e pessoas, poetas e poetas. Há quem respeite as diferennças e as similiaridades, as divergências com naturalidade, outras... fazem caridade com as palavras, com uma das mãos e com a coutra, ultrajam, esquartejam, matam. ofendem de morte...
    Salvemos a poesia... isso basta... o resto é CONFEIARIA... cenografia... beijos da IRFÃ VC

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  3. “Estou voltando...”
    (Um conto africano)


    Um jovem angolano caminhava solitário pela praia. Parou por alguns instantes para agradecer aos deuses por aquele momento milagroso: o deslumbramento de sua terra natal. O silêncio o fez adormecer em seu âmago, despertando inesperadamente com o bater das ondas sobre as pedras. De repente, surgiram das matas homens estranhos e pálidos que o agarraram e o acorrentaram. Sua coragem e o medo travaram naquele momento uma longa batalha... Ele chamou pelos seus pais e clamou pelo seu Deus. Mas ninguém o ouviu. Subitamente mais e mais rostos estranhos e pálidos se uniram para rirem de sua humilhação. Vendo que não havia saída, o jovem angolano atacou um deles, mas foi impedido por um golpe. Tudo se transformou em trevas.
    Um balanço interminável o fez despertar dentro do estômago de uma criatura. Ainda zonzo, ele notou a presença de guerreiros de outras tribos. Todos se demonstraram incrédulos sobre o que estava acontecendo. Seus olhos cheios de medo indagavam. Passos e risos de seus algozes foram ouvidos acima. Durante a viagem muitos guerreiros morreram, sendo seus corpos lançados ao mar. Dias depois, já em terra firme, ele é tratado e vendido como um animal. Com o coração cheio de “banzo” ele e outros negros foram levados para um engenho bem longe dali. Foram recebidos pelo proprietário e pelo feitor que, com o estalar do seu chicote não precisou expressar uma só palavra. Um dia, em meio ao trabalho, o jovem angolano fugiu. Mas não foi muito longe; foi capturado por um capitão do mato. Como castigo foi levado ao tronco onde recebeu não duas, mas cinqüenta chibatadas. Seu sangue se uniu ao solo bastardo que não o viu nascer.
    Os anos se passaram, mas a sua sede por liberdade era insaciável. Várias vezes foi testemunha dos maus tratos que o senhor aplicava sobre as negras, obrigando-as a se entregarem. Quando uma recusava era imediatamente açoitada pelo seu atrevimento. A Sinhá, desonrada, vingava-se sobre uma delas, mandando que lhe cortassem os mamilos para que não pudesse aleitar. O jovem angolano não suportando mais aquilo fugiu novamente. No meio do caminho encontrou outros negros fugidos que o conduziram ao topo de uma colina onde uma aldeia fortificada – um quilombo – estava sendo mantida e protegida por escravos.
    Ali ele aprendeu a manejar armas e, principalmente a ensinar as crianças o valor da cultura africana. Também foi ali que conheceu a sua esposa, a mãe de seu filho. Com o menino nos braços, ele o ergue diante as estrelas mostrando-o a Olorum, o deus supremo... Surgem novos rostos, estranhos e pálidos, mas de coração puro, os abolicionistas. Eram pessoas que há anos vinham lutando pelo fim do cativeiro. Suas pressões surtiram efeito. Leis começaram a vigorar, embora lentamente, para o fim da escravatura: A Lei Eusébio Queiroz; a do Ventre-Livre, a do Sexagenário e, finalmente, a Lei Áurea. A juventude se foi. O velho angolano agora observa seus netos correndo livremente pelos campos. Aprenderam com o pai a zelarem pelas velhas tradições e andarem de cabeça erguida. Um dia o velho ouviu o clamor do seu coração: com dificuldade caminhou solitário até a praia. Olhou compenetrado para o horizonte. Agora podia ouvir as vozes de seus pais sendo trazidas pelas ondas do mar.
    A noite caiu cobrindo o velho angolano com o seu manto... Os tambores se calaram... No coração do silêncio suas palavras lentamente ecoaram: “Estou voltando... Estou voltando...”

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    *Agamenon Troyan
    machadocultural@gmail.com

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