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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

SEDENTA

Essa boca sempre povoou meus sonhos... todos...
A mesma boca que dita minha razão nos momentos mais críticos, ainda que em sonhos, me dizendo palavras duras, difíceis e resolutas, é a boca que ilustra lúdica meus sonhos, em sorrisos delirantes.
Possui o gosto do beijo e a ousadia das delícias e das loucuras também...
É a boca perfeita... na forma, umidês, fantasia e paixão.
Esta boca contém, tem contido, gera, enriquece, brota, floresce e enternece.
O toque perfeito, o gesto sonhado, o sorriso necessário, as palavras todas, das mais doces as mais lancinantes. Qualquer momento cabe nesta boca.
Sussurra no meu despertar, se insinua na madrugada, que agitada transcorre insone na sobressaltada excitação e busca insistente, até vencida pela saciedade, em espasmos de prazer, que sorridente se delata, até o adormecer.
Essa boca é sugestão, é pretensão, êxtase completo, que insaciável se repete na multiplicidade do prazer e acalenta, delicada como o pousar de uma borboleta, na minha fronte ainda inundada.
Essa boca freqüenta minha lembrança, lidera meus pensamentos e desordena minha razão. Transpõe o sonho como mágica e aterrissa na realidade.
Mordisca cada pedaço impensado de mim, que desavisado se arrepia, se eriça, se prontifica. Faz de mim lava incandescente que escorre pelos lençóis, pelo tapete, pelo banco do carro.
Mãos aflitas socorrendo minhas sensações mais íntimas, lembram a minha boca a falta da sua, que retorna num repente, sem que jamais tenha saído do lugar.
Quero essa boca diante dos meus olhos cerrados de prazer, sussurrando imoralidades nuas aos meus ouvidos, sorvendo a minha língua, percorrendo úmida, meu corpo desassossegado, inquieto, se contorcendo até que minhas pernas se abram à sua exploração.
Quero oferecer a sua boca, meu sexo todo, corado, inchado, exposto, pulsante, molhado, louco, já aberto pela ajuda das suas mãos tão descontroladas.
Quero essa boca lambendo meu controle, meu equilíbrio, minha razão toda, arrancando da minha afinal, a expressão da minha loucura mais demente.
Quero gritar no gozo do prazer derramado nessa boca, inundada de mim...
Ainda que eu acorde logo em seguida, gritando seu nome... suplicando mais um beijo... ou nunca mais...

Vera Celms
Licença Creative Commons
A obra SEDENTA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

2 comentários:

  1. Maravilhoso!
    Amei qd teu poema diz:Essa boca frequenta minha lembrança,lidera meus pensamentos e desordena minha razão.
    Bjsss Vera meu carinho Lady

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  2. Obrigado amada VAL... é essa boca de frequenta, lidera e desordena... que enlouquece a gente... e ela existe... Obrigado pela visita e pelo comentário... dorotú... beijos de VC

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