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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A DANÇA DAS HORAS



entre o amanhecer
e o entardecer,
saberás
quantas horas o meu tempo tem?
são longas, meu amor,
vividas minuto a minuto,
pois não estás aqui.

são horas pesadas,
que escorrem na memória,
brotam nas lágrimas,
gritam na saudade,
inspiram poemas
bem aquém da emoção.

não estão nos relógios,
estas imensas horas,
porque vibram,
secretas,
no mistério do coração.

Ah, meu louco amor
[distante]
nunca saberás quantas horas
o meu solitário dia tem.
entre o amanhecer
e o entardecer.

não vivo o dia,
antes me deixo derramar por inteira,
à beira de uma espécie de eternidade
sobre a qual me faltam palavras
para te explicar
o que afinal é eterno em mim.

...e agora,
que mais uma longa noite se apresenta
vejo-me nua de teus versos
tão ausentes de mim.

deixo-me, então,
envolver-me por densos véus,
odalisca silenciosa
entregue à miragem do teu regresso!

[31/05/2011]
[Publicado no Recanto das Letras em 31/05/2011
Código do texto: T3004489]
[Foto: Google]

3 comentários:

  1. deixo-me, então,
    envolver-me por densos véus,
    odalisca silenciosa
    entregue à miragem do teu regresso!
    Oi Silvia, que belíssimo poema, versos que me tocaram, obrigado, bjs MIL.

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  2. Conheço tão bem a saga do amor distante... saudade, quanta saudade, horas mortas que passam vazias e inertes... que lotam nossos relógios, mas não nossos corações, lotados de horas de solidão... beijos de VC, amada SILVINHA... adorei...

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  3. Querida Silvia Mendonça:
    Lindíssimo poema, no rítmo, nas imagens, nos estados de alma que se fazem melodia.
    De tão bem retratada a sua "Dança das Horas", dá até para sentir a eternidade de cada minuto seu... "odaLisca silenciosa / entregue á miragem do teu regresso". LINDO
    Parabéns.

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